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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Filme brasileiro retrata trabalho de agente de imigração em aeroporto JFK

Do portal Comunidade News


“Olhos Azuis”, de José Joffily, mostra imigrantes barrados no Aeroporto JFK.


Muitos imigrantes devem se identificar com o enredo do filme “Olhos Azuis”, do cineasta brasileiro José Joffily, 64. A história, que tem atores brasileiros e estrangeiros no elenco, mostra imigrantes num aeroporto serem impedidos de entrar nos Estados Unidos. 


O enredo mostra o último dia de trabalho de Marshall (David Rasche), chefe da imigração do Aeroporto JFK de Nova Iorque. Na esperança de deixar uma lição para os subordinados, detém arbitrariamente um grupo de latinos que sonhava entrar nos Estados Unidos. A partir daí, cria-se um verdadeiro duelo entre “olhos azuis” e “olhos negros”. 


A inspiração de Joffily nasceu num documentário, onde a pedagoga americana Jane Elliot propõe aos americanos (olhos azuis) conhecerem na prática as dores de pertencerem a uma minoria (olhos negros). Depois disso, Joffily hospedou em sua casa um amigo que foi interrogado num aeroporto de Nova Iorque e deportado. 


Por telefone do Rio de Janeiro, José Joffily disse que as histórias contadas pelo amigo também o inspiraram. Na opinião dele, o sul-americano que viaja para o primeiro mundo passa muitas vezes por constrangimentos. “De maior ou menor gravidade, nos serviços de imigração”, disse ele. Segundo Joffily, o filme passeia por esta questão. “Você viajar e ser detido no aeroporto para averiguações”. 


Joffily acredita que Marshall represente o pensamento do americano médio, aquele que vive no interior dos Estados Unidos . “Entra muito a imaginação da gente com relação à história”. Segundo o cineasta, o agente de imigração é absolutamente sincero com o que ele pensa. “A democracia americana tem isso de espetacular, eles exercem o pensamento de direita ou de esquerda”. 


As manifestações vistas por Joffily, quando morou em Nova Iorque na década de 60, foram um verdadeiro encantamento para ele. Relatos de amigos e conhecidos de Joffily ajudaram a compor a história.


Depois de um desfecho trágico no aeroporto JFK, Marshall vai para o Brasil. Em busca de perdão atravessa o nordeste, guiado por Bia (Cristina Lago), uma bela garota que transforma a vida do americano. A atuação rendeu à brasileira o prêmio de Melhor Atriz no Festival Paulínia 2009, onde Irandhir Santos também foi premiado como Melhor Ator Coadjuvante.


Paraibano de João Pessoa, José Joffily é diretor, roteirista, produtor e eventualmente ator. Atuou em “Bete Balanço” e na novela “Kananga do Japão”, e ganhou o Kikito de Ouro no Festival de Gramado em 1996 por “Quem Matou Pixote?”, categorias Melhor Filme, Argumento/Roteiro. Por “Olhos Azuis”, foi premiado com A Menina de Ouro no Festival de Paulínia 2009.


A força imigrante


Sobre os Estados Unidos, disse que o país é formado por imigrantes, assim como o Brasil. “Os imigrantes é que são a força econômica do país. A força dos Estados Unidos é a imigração”. 


O time de atores de “Olhos Azuis”, composto também por cubanos, argentinos,  hondurenhos, contribuiu muito para a qualidade do filme, segundo Joffily. A questão da imigração, de acordo com o cineasta, é muito evidente. “Ninguém em sã consciência, ninguém sinceramente poderá dizer que não há uma reação dos Estados Unidos contra o imigrante”. Para ele não há o mocinho e o bandido. “Todos são mocinhos e todos são bandidos”. 


Em um filme produzido por um americano, Joffily viu guatemaltecos cruzando a fronteira mexicana. “É um filme muito violento”. 


De acordo com Joffily, os atores americanos – David Rasche, Erica Gimpel e Frank Grillo - tiveram grande contribuição na construção dos personagens de “Olhos Azuis”. “Criticavam muito o texto”. Isto deu bastante veracidade às situações do filme. Durante as filmagens, o diretor fazia uma mesa redonda com todos os atores. O filme foi todo feito no Brasil, com uma reprodução o mais fiel possível da sala do aeroporto JFK, onde os imigrantes são interrogados. 


Sobre o imigrante brasileiro nos Estados Unidos, Joffily disse que existem tanto pressões quanto condições favoráveis para a permanência dele no país. “Ele sabe que anda na rua muitas vezes, em algumas cidades, e é identificado como o antagonista, como alguém não desejável. Por outro lado tenho certeza que o imigrante aí convive com a experiênca muito boa de levar uma vida normal, no país que escolheu para viver. Certamente não é só sofrimento, só chateação, preconceito”. 


O cineasta tem curiosidade de saber a reação das pessoas, ao ver o filme. No Festival Brasileiro de Cinema de Paris, David Rasche e Irandhir Santos dividiram o prêmio de Melhor Atuação Masculina. Nos Estados Unidos, “Olhos Azuis” foi exibido no festival de Berkshire (NY) e no Cine Fest Petrobras Brasil-NY. O filme percorre ainda Miami, Vancouver e Toronto (Canadá), Israel e Londres. A crítica e o público brasileiros aplaudiram o filme. 


Atualmente Joffily está adaptando a peça “Mão na Luva”, de Oduvaldo Vianna Filho. A direção é em conjunto com Roberto Bontempo e as filmagens serão em Belo Horizonte (MG). 

Zoom - Celso Sabadin: Olhos Azuis

O crítico Celso Sabadin comenta a estreia do filme "Olhos Azuis" do diretor José Joffily no Zoom.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Entrevista com o cineasta José Joffily no Almanaque Virtual

Do Almanaque Virtual, Por Leonardo Luiz Ferreira

Fotos de Álvaro Riveros


O interesse pelo cinema de gênero, a partir de um episódio trágico, se faz mais uma vez presente na obra do realizador José Joffily: Olhos Azuis (2009) é um thriller que aborda temas polêmicos em uma jornada redentora. Ao intercalar projetos de ficção com documentários, Joffily soube construir uma carreira de propósitos bem definidos, nos quais cada novo filme se relaciona de alguma forma com os anteriores. O interesse permanece por personagens à margem ou que não recebem a atenção da maioria das pessoas e que estão sempre em busca de mudança. Na entrevista exclusiva, realizada quase um ano depois da consagração do longa no Festival de Paulínia, o diretor reflete sobre o projeto e revela o que lhe impulsionou para ser cineasta.

Almanaque Virtual - O que lhe moveu primeiramente a realizar cinema?

José Joffily: Falando assim rapidamente e sem pensar muito, eu diria que foi a vontade de ficar em grupo. Quando trabalhava como fotógrafo era tudo muito solitário: cobria as pautas, voltava e editava o material e colocava as legendas. Era um processo chato. A minha vida mudou quando encontrei pessoas que estavam interessadas no mesmo assunto e que tinham prazer de trabalhar com cinema. Era sedutora a ideia de realizar um filme e isso compartilhava com todos eles. Em um determinado momento se formou um grupo de realizadores que resultou na produtora Corisco Filmes, entre eles estavam Jorge Durán, Sérgio Rezende, Murilo Salles, Emiliano Ribeiro e Mariza Leão. Essa multiplicação de encontros foi importante para a minha formação como cineasta.

 
AV - O roteiro de Olhos Azuis participou de uma oficina dos laboratórios do Instituto Sundance, em 1999. Por que levou tanto tempo para realizar o filme?

José Joffily: A ideia original surgiu em 1998. Os filmes se ajustam à época, ao talão de cheques e as circunstâncias. Alguns projetos vêm à tona e outros submergem com o passar do tempo. E no caso de "Olhos Azuis", sempre mantive a vontade de realizá-lo, pois gostava muito da história e dos personagens. Na versão original do roteiro, em um dos primeiros tratamentos, o filme se passava em diversos países: mostraria flashbacks de todos os latinos detidos na migra em seus países de origem. Mas isso tornou a produção muito cara. A história do boliviano, que o policial Marshall conta para a moça em um bar, seria encenada. Ela se transforma em relato, pois gostava de sua força, além de demarcar bem o que é estar distante de seu país. O tempo de maturação do projeto trouxe prós e contras. Lamento não ter feito externas em Havana, por exemplo. Mas mantive a ideia de que os atores são oriundos dos países dos personagens. Uma história curiosa sobre a produção de "Olhos Azuis" é a de que o personagem principal seria interpretado pelo ator Robert Foster, que renasceu devido ao sucesso de "Jackie Brown" (1998), de Quentin Tarantino. Ele estava animado com o filme e completamente inteirado com o projeto. De repente, eu recebi um e-mail dele em que dizia que não poderia filmar naquele momento, pois estava comprometido com uma filmagem em Cingapura. Foi a personificação do horror: perdi o protagonista do filme com todo o plano de filmagem já traçado. Decidi partir para Nova York e pessoalmente resolver esse problema. Foi aí então que surgiu o David Rasche, um ator mais ligado a seriados e comédias. Isso foi um fator importante para sua escolha em que interpretaria um papel bem diferente. Ele desenvolveu uma camaradagem com o núcleo de personagens da imigração e se integrou rapidamente.

 
AV - O filme se estrutura a partir de dois eixos narrativos que se diferenciam em termos de escolhas estéticas: a granulação e o tom cinza e frio da sala de imigração; e o solar e arejado de Recife durante o road movie. Fale sobre a direção de fotografia e as diferenças entre locações.

José Joffily: Eu já trabalho com o fotógrafo Nonato Estrela há muitos anos. Gosto muito de descobrir a fotografia e que direções devo seguir. Fizemos uma pesquisa de campo para saber como filmar interiores e exteriores: se deveríamos usar tal lente ou o tripé, e coisas do tipo. Optei por filmar com duas câmeras na migra para não banalizar e não perder a força das cenas. Tudo era uma questão de tempo. Disse para a produção que filmaria mais rápido a migra e assim consegui mais uma equipe de filmagem. A música durante as sequências da imigração não faria sentido. Portanto, trabalhei a edição de som para configurar e dar credibilidade. Já no Nordeste, a música tinha um papel importante, mas mesmo assim sacrificamos bastante a trilha sonora.

 
AV - Olhos Azuis depende diretamente do trabalho de montagem para funcionar na tela. A tensão vai se construindo de maneira crescente. Quais foram as diretrizes da edição e o trabalho com o montador Pedro Bronz?

José Joffily: Tive muita preocupação em como fechar cada cena e como ela iria abrir na seguinte. Retiramos alguns trechos de cortes que estavam previamente marcados. Também trocamos alguns de ordem. Era importante manter o interesse do espectador na história e a montagem devia dar essa fluência. "Olhos Azuis" é o primeiro filme de ficção que o Pedro monta. Ele fez uma modificação significativa ao defender que o longa terminaria na beira do rio, com o fracionamento de cenas da abertura. Visualmente era muito mais atraente terminar dessa forma, com o personagem indo de encontro ao mar.

 
AV - O discurso da obra aborda alguns temas polêmicos, como o preconceito racial e o xenofobismo. Os personagens assumem, de certa forma, estereótipos sociais, como a argentina malandra, os hondurenhos como frágeis e falsos esportistas e o brasileiro pobre que empreende seu "american dream", entre outros. Essa construção é deliberada?

José Joffily: Nunca tivemos essa ideia. A intenção também nunca foi de mostrar os argentinos como malandros; o filme é uma coprodução com a Argentina. Em Paulínia, levantaram a questão sobre a sensualidade da cubana, mas ela é comportada e a argentina é muito mais voluptuosa. O filme, sem dúvida, ganha asas e você perde o domínio de todas as possíveis leituras. Queria, sobretudo, que fosse um longa ecumênico e que representasse os países latinos. Tiramos um personagem chileno, que na época era construído sob o signo do neo-liberalismo. E também sacamos um militar argentino que foi condenado e se matava na migra - essa história era baseada em um personagem real. Talvez tenha algo nesse sentido de refletir um pouco cada país e características, mas não foi a intenção.

 
AV - De um lado se tem o policial americano durão, ex-militar, apegado a moral e aos bons costumes. Ele chega até mesmo a ser chamado de John Wayne por uma colega de trabalho, mas também é identificado com traços da persona de Clint Eastwood, como seu personagem Dirty Harry e no recente "Gran Torino" (2008). E de outro a temática política, a causa e o efeito, que remete ao roteirista e escritor Guillermo Arriaga e ao diretor Alejandro Iñarritú em "Babel" (2006). Quais foram as principais referências para o filme?

José Joffily: Marshall é sincero, sem disfarces. Ele representa o americano médio. Defende o seu país e é um retrato explícito do povo americano que não quer estrangeiros em seu território. Durante esse episódio sobre as sanções ao Irã e as reuniões com o Brasil ninguém da imprensa lembrou de um episódio que reflete a política exterior objetiva dos Estados Unidos: o embaixador Bustani foi defenestrado do cargo porque conseguiu reduzir em um terço as substâncias químicas empregadas como armas de guerra. Isso atrapalhava o ataque a Bagdá. E isso é aplicado por eles em uma série de países. Com relação as referências, nós temos todos uma formação de milhares de filmes americanos. É um inventário de filmes e séries que estão em nosso imaginário e, com certeza, passou pela nossa cabeça tanto o John Wayne quanto o Eastwood. Passamos meses discutindo o roteiro e nos utilizamos de um infinito número de referências.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Olhos Azuis no "...ou barbarie"

Fonte: Blog ...ou barbarie, maio 2010

Fui convidada, como alguns amigos meus, para uma pré-estréia do filme Olhos Azuis, feita especialmente para blogueiros, que aconteceu ontem no Arteplex. Adorei a idéia; além de ser uma forma bastante barata e eficaz de divulgar o filme, reconhece a importância da blogosfera na circulação de informações (tem um post interessante sobre isso aqui).
Vocês podem estar se perguntando (como eu também o fiz) como alguém pode ter achado relevante me chamar, já que o meu blog tá paradão há um tempo e ele nem é especializado em cinema. Felizmente, eu tenho amigos queridos que gostam de mim e que tem empregos legais, como esse de chamar pessoas pra ver filmes de graça. Aí fui!

Além de uma pequena dose de coerção durkheimiana, não se cobra aos blogueiros convidados que escrevam sobre o filme, é claro. Mas achei uma oportunidade boa de tirar a poeira das engrenagens da máquina e botá-la pra trabalhar. E – não digo isso pela pipoca que me foi dada de graça – o filme vale muito a pena.


O filme se passa em momentos paralelos na vida de um mesmo personagem que se intercruzam. No último dia de trabalho de um policial da alfândega norte-americana (aquele cara que é encarregado de dizer quem pode entrar e quem não pode), ele resolve sortear alguns passaportes de latino-americanos desafortunados pra infernizar-lhes a vida. Paralelo a isso, esse mesmo policial americano está no Brasil, mais precisamente em Recife, procurando por uma menininha.
O cara que faz o policial se chama David Rasche, excelente ator americano que eu não lembro de ter visto antes, mas aparentemente ele costuma trabalhar na tevê. O outro personagem central, o brasileiro Nonato, escolhido como alvo máximo do policial escroto, é o Irhandir Santos, “o novo cara do cinema nacional”, que tá chegando nas telonas com mais dois outros filmes, Quincas Berro d’Água e Viajo.

A primeira história se passa inteiramente na sala da imigração do aeroporto JFK, em Nova Iorque. Quando eu vi a primeira imagem daquela sala, senti um arrepiozinho: já estive numa daquelas. Vou contar primeiro a minha história pra não acabar soltando algum spoiler do filme.

A primeira – e única – vez que saí do país foi em agosto de 2007, pouco depois de atingir a maioridade. Meu tio era professor de física convidado em Harvard (tem gente que é chique!) naquele ano, e eu fui de gaiata passear nos êua por conta disso. Pegar o visto no consulado americano foi muito mais fácil do que eu esperava. Fui com 350 documentos diferentes, cheirosinha, bonitinha – mas não muito, né?, sei lá. Entrei na salinha, um officer careca de mau-humor olhou um ou dois documentos e me perguntou se eu ia pra Disney. Ahm… Não, meu senhor, eu vou pra Boston. Ah tá, pode ir. E meu deu o visto.

Tanta facilidade não podia sair impune. Peguei meu avião e cheguei no aeroporto de Atlanta, na Georgia, pra passar pela alfândega e depois pegar a conexão. Me senti num Carrefour pós-moderno: eram dezenas de estações feito caixas de supermercado, uma do lado da outra, com suas filas, só que pra entrar. Chegou minha vez. Um policial negro careca (eles são todos carecas?) olhou meus documentos com calma. O que você veio fazer aqui? Vim visitar meus tios e primos. Quantos anos têm seus primos? 7 e 9. E por que você quer visitar crianças tão pequenas? Porque eu as amo, ué!

Peguei um bad cop. Ele não gostou da minha resposta. Botou meus documentos numa pasta laranja e me mandou pra immigration room. Eu, menininha bonitinha, just turned eighteen, sozinha, querendo entrar nos Estados Unidos? No mínimo ia ser stripper, prostituta, sei lá! Entrei na salinha. Tinha só eu, um homem com cara de índio e uma mulher com cara provocantes. Ai meu deus. Vim pra sala dos suspeitos.

No fim das contas deu tudo certo. Peguei um good cop e fui liberada logo. Não sem quase morrer do coração, é claro. Porque naquela sala você é um inimigo em potencial. Os olhares são de superioridade, de desdém. Aquela sala é um território a ser pensado. E é isso que Olhos Azuis faz.

Em Olhos azuis, o bad cop chega ao seu extremo. Mas o retrato não é irreal, muito pelo contrário. O racismo, a xenofobia e a estupidez que o patriotismo norte-americano quer implantar nas cabeças dos ianques exala realidade. E a posição dos latinos (e nós brasileiros também somos latinos, acredite se quiser) também chega ao extremo, também de forma totalmente verossímil. A tensão entre as posições de forte e fraco, dominante e subalterno, senhor e escravo (porque ando lendo Nietszsxsche) chega a um pico com o qual é possível se relacionar intimamente e explode, chegando mesmo à inversão de posições.

O filme é muito bom. Deviam passar na sessão da tarde dos êua. É um filme brasileiro muito diferente do que estou acostumada a ver, num bom sentido. É claro que tem uma coisa aqui outra ali que eu faria diferente, mas é essa coisa que se tem com filme brasileiro, uma proximidade com aquele fazer. De qualquer forma, a reflexão que o filme propõe é fundamental. Vale a pena assistir – e não digo isso pela pipoca e coca cola que ganhei degrátis. Juro!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma americana fala sobre o filme "Olhos Azuis"

O blog Rio Gringa, ou "Adventures of a Gringa", é escrito por Rachel Glickhouse, americana de Nova York que quando veio morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como professora de inglés e balé, criou um blog para registrar suas impressões sobre a cidade e as pessoas. Com o tempo, Rachel passou a colecionar uma série de curiosas observações sobre os cariocas, o Brasil e as nossas manias. Seu blog - escrito predominantemente em inglês - acabou ajudando muitos estrangeiros que queriam viajar para o Brasil a conhecer um pouco mais sobre a terrinha e, principalmente, sobre o Rio.
Rachel, que fala muito bem o portugês e, confessadamente, adora o Brasil, teria sido nossa convidada para a sessão de pré-estreia de "Olhos Azuis", uma vez que a temática do filme dialoga muito com suas experiências de vida, porém, quando escrevemos para ela, Rachel já estava de volta aos EUA. Uma pena, pois assim não poderia conferir nas telonas do cinema nacional a história que cruza as vidas de Marshall (David Rasche), Nonato (Irandhir Santos) e Bia (Cristina Lago). Triste, mas não muito! Demos um jeito de apresentar o filme para ela. E vejam só no que deu: 

Olhos Azuis (Clique aqui para ler a tradução do post do Google Translator)

I get quite a few email requests for PR and special posts, but last week one caught my eye and turned into much more than I expected. Thanks to one fantastic PR person and some incredibly kind and hard-working people over at the film company, I not only got a ton of info about a new Brazilian movie, but was actually able to see it and interview the star. When you see what the movie involves, you'll see why I was so excited about it.

Olhos Azuis, or Blue Eyes in English, is a labor of love about some of the most pressing issues in the US today: immigration, xenophobia, and our relationship with Latin America. It was filmed in Portuguese, English, and Spanish, and takes place in both New York and Brazil.

Cartaz
The film, which stars American, Brazilian, and Latin American actors, is based on a true story about a Brazilian living legally in the US who was detained going through immigration in the US and was inexplicably deported to Brazil. The movie follows the experiences of not only the Brazilian, but also the American immigration agent who detains him.


While I had somewhat low expectations before seeing the film, I was extremely impressed by how the story unfolded and how drawn I was to each of the characters. In fact, I wished they had spent some more time focusing on the other characters, including a Honduran martial arts team, a Cuban ballerina, and two Argentine poets, who could have even held the movie in their own right.

But the stars are really the heart of the film, including American David Rasche, who plays the immigration agent, Cristina Lago, who plays a charming prostitute who speaks amazing English, and Irandhir Santos, who plays the Brazilian living in the US. While there are plenty of stereotypes to be had -- the obnoxious, racist American and the free-spirited Brazilian prostitute -- the balance prevents the movie from becoming wholly anti-American or a Brazilian cliche. I was impressed by each of their performances, since I'd known Rasche as the manipulative millionaire from Ugly Betty and Lago as the star of Maré: A Historia da Nossa Amor, and both were completely different and extremely fun to watch in this movie.


The movie takes a back and forth approach to the story, flipping between the past and present to keep you curious about what comes next. The sense of humiliation, dread, and terrible discomfort that come with being harassed at immigration pervade the whole movie, giving anyone who has never encountered it a taste of what it's like, and anyone who has a painful reminder of their experience. It is this sense of dread and constrangimento that really keeps you on the edge of your seat.

The truth is that Latin Americans are often targeted by immigration at American and European airports, and are sometimes subjected to humiliating and traumatic treatment (just this last week, this issue was featured on an American comedy). When Eli was traveling in Europe, he was treated similarly to Nonato, the Brazilian character, and was always flagged and interrogated by immigration officers in every country he went to. Luckily, his experience in the US has been just fine, and I pray that anytime we travel, it will continue to be fine, but you never know.

There are too many stories about families torn apart because of the whim of immigration agents, judges, and others in power, and I think this movie serves as an important reminder to the governments of developed countries that people are paying attention and that the stories of those who have been wronged will not be silenced. I imagine that many Latin Americans will be able to relate to this movie, and
will feel a sense of satisfaction that someone has finally decided to tell their story, a story not about drugs or crime, but about regular, hard-working, legal immigrants and visitors who deserve to have their rights respected and to be treated like human beings.

The film recently was shown in Chicago and Paris, and premieres in Brazil on May 28th. I'm hoping that it will be shown at MoMa's Brazilian film festival this summer, so those of you in the New York area will be able to see it. For more information on the movie, please check out the movie's excellent blog, and stay tuned for my exclusive interview with David Rasche later this week!

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Muito bom ter este feedback de quem, tão de perto, conhece a política de imigração americana. Aguardamos a publicação da entrevista de Rachel com o nosso ator protagonista, David Rasche, a ser publicada em breve.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Lei de imigração no Arizona causa polêmica nos EUA e no mundo

Lei de imigração promulgada no final da semana passada está causando polêmica nos Estados Unidos e no mundo. Há preocupação de que a medida seja insconstitucional e incentive o racismo e o preconceito.

Em uma das redes de relacionamento mais difundida entre os americanos - o Facebook - já existe uma manifestação contra a lei "1 MILLION Strong AGAINST the Arizona Immigration Law SB1070" que já conta com 813,988 membros. E também está circulando na internet uma petição a favor boicote ao estado do Arizona, o "Boycott arizona!"

O presidente Barack Obama também já criticou a medida, que foi foi classificada como "discriminatória, particularmente contra a população latino-americana" pelo secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

Leia as notícias disponíveis online:

"A lei que criminaliza a imigração ilegal promulgada há cerca de uma semana no Arizona «está mal concebida» e poderá provocar que americanos de origem hispânica sejam assediados pela polícia sem necessidade, afirmou o presidente Barack Obama" Sol Sapo

"Arizona enfrenta boicotepor causa de lei de imigração" Globo Online

"O secretário geral ibero-americano, Enrique Iglesias, também criticou a lei, chamando-a de "dramática" e dizendo que pode resultar em 'graves violações dos direitos humanos'." Folha Online

"O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou que estuda a medida perante a possibilidade de que seja nticonstitucional." Estadão Online

"O líder (B. Obama) prometeu pressionar a favor de uma reforma migratória exaustiva para que não haja "o tipo de má legislação que vemos no Arizona ou, o outro extremo, meio milhão de ilegais entrarem no Estado sem nenhum tipo de controle". Terra Notícias

"Os críticos da lei, que provocou muitos protestos nos Estados Unidos, México e países da América Central, afirmam que o texto provocará discriminação racial, já que as autoridades teriam o poder de deter qualquer pessoa que pareça um imigrante ilegal, mesmo que não seja suspeita de nenhuma atividade ilegal." Último Segundo - IG

Toda esta polêmica só reafirma o quanto é latente a discussão trazida no filme de José Joffily, Olhos Azuis, exibido ontem na "Brazilian Night" do Festival de Cinema de Chicago, sobre o tema-problema da imigração no eixo Ámérica Latina x EUA.

O filme estreia em 28 de maio no Brasil. Sigam @olhosazuisfilm no Twitter! 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Por dentro de "Olhos Azuis"

Quer ficar por dentro da história do filme Olhos Azuis que entrará no circuito de cinemas em 28 de maio? Dê uma conferida no vídeo abaixo. É o trecho do Making Of do filme em que o diretor José Joffily conta o que lhe deu inspiração para fazer este filme.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Minha Cabeça é Vermelha, Azul e Branca, Meu Coração Verde e Amarelo

O site Brasileiros nos Estados Unidos traz uma série de informações utéis a brasileiros que desejam viajar, estudar ou viver nos Estados Unidos. Além de oferecer gratuitamente um "Guia para novos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos" (em português), que pode ser muito valioso para quem acabou de chegar lá, o portal possui uma série de artigos de opinião bem interessante. A leitura dos artigos, bem como dos comentários feitos pelos leitores, revela um pouco do que há no imiginário dos brasileiros que, como Nonato (Irandhir Santos), o brasileiro do filme Olhos Azuis, decidiram tentar a vida lá.

Uma característica bem marcante no perfil dos brasileiros que vão para os EUA, segundo alguns artigos deste site, é que muitos já viajam para o novo país com a idéia de voltar para o Brasil após um período relativamente curto. Acontece que com o passar do tempo, a medida em que vão se adaptando, estes brasileiros vão cada vez mais abandonando a idéia do retorno rápido à terra natal, em troca de um pouco mais de tempo para trabalhar e juntar dinheiro nos Estados Unidos. A grande maioria é formada por aqueles obstinados em ganhar dinheiro ali para depois realizar os seus sonhos no Brasil,mas apesar disso há quem acabe mudando de idéia.

Um artigo curioso, que talvez pudesse ter sido escrito pelo próprio Nonato em um de seus momentos de nostalgia da sua vida no Brasil, principalmente de sua filha Luisa, é homônimo a este post e retrata bem a saudade angustiante que apesar dos fascínios da fabulosa América, faz o coração permanecer verde e amarelo.


Do site "Brasileiros nos Estados Unidos ponto com"


Os Estados Unidos é o país das oportunidades. É onde muitos de nós viemos buscar os nossos sonhos de viver uma vida melhor, com segurança, justiça, liberdade, e principalmente com uma melhor condição financeira. Para muitos imigrantes Brasileiros nos Estado Unidos, aqui é a nossa nova casa, temporária ou permanente.


Muitos Brasileiros vieram com planos de passar pouco tempo para juntar um bom dinheiro e logo voltar. Mas a realidade muitas vezes nos leva a ficar mais tempo do que originalmente programado. Outros já vieram com a intenção de ficar por aqui por um tempo indefinido. Quem sabe talvez voltar para a aposentadoria. Seja lá qual tenha sido o seu plano, o tempo vai passando, e logo você começa a se adaptar. Em pouco tempo você encontra um lugar para ficar, faz novos amigos, arruma um emprego, começa a falar bem o Inglês, e de repente você já está até participando das comemorações dos feriados de 4 de Julho e do Thanksgiving.


Sem você perceber, a sua cabeça começa a mudar. Você não é mais a mesma pessoa que chegou e a sua maneira de pensar já não bate com aquelas idéias que você trouxe do Brasil. É quando você encontra com outro Brasileiro recém chegado que você nota a diferença. É muito fácil entrar na rotina e adotar os hábitos dos Americanos: de trabalhar exaustivamente; de não aparecer na casa do outros sem avisar; ou até mesmo algo tão simples como não atravessar a rua até que o semáfaro para pedestres lhe diga que é seguro.


Confesse, se você está nos Estados Unidos a algum tempo, a sua cabeça mudou e trocou de cor. Agora é vermelha, azul e branca. Isso é quase inevitável.


Mas e o coração? Esse é bem mais teimoso. O nosso amor pelas coisas da nossa terra natal jamais nos deixa. Seja o sabor especial do nosso café, a beleza de nossa música, a ginga do nosso futebol, isso tudo faz parte do que somos e fica conosco para sempre. Por mais que você tente, as coisas aqui não têm o mesmo gostinho. Ir a praia nos Estados Unidos não se compara com ir a praia no Brasil. E quem já tentou entrar na onda da grande final do futebol americano, o Super Bowl, sabe bem que apesar de toda a badalação, a emoção jamais se compara com o sentimento que temos ao ver o nosso time jogar o verdadeiro futebol.


O poema “A Canção do Exílio” é um retrato pefeito do sentimento de muitos imigrantes Brasileiros nos Estados Unidos, ou em qualquer outro país:


Canção do Exílio


“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.”


Gonçalves Dias


Por mais que a gente se adapte ao país adotado, e que a nossa maneira de pensar mude, os nosso sentimentos continuam os mesmos. O amor pelo Brasil e as coisas da gente ficam conosco para sempre. E quando a saudade baixa, não é fácil.


A minha cabeça pode ter se tornada vermelha, azul e branca, mais o meu coração sempre seré verde e amarelo.
O autor do texto, como se vê, é mais um dos amantes do futebol, imaginemos em ano de Copa do Mundo, como o é 2010, como fica esse coração!
Apesar de cientificamente as "essências" brasileiras embutidas no texto acima não serem exatamente comprovadas, percebemos que o que falta ao brasileiro o escreve é este algo descrito como "gostinho" das "coisas da gente". Enfim, é um texto que fala de saudade, palavra que aliás, não é traduzida no inglês.

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A história do brasileiro interpretado pelo ator Irandhir Santos e outros latino-americanos barrados no baile pelo Sr. Marshall (David Rasche), chefe do Departamento de Imigração americana no filme de José Joffily, entra no cirtuito de cinemas brasileiros no final do mês de maio. Acompanhe o Twitter do filme @olhosazuisfilm 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando o sonho vira pesadelo

Em Olhos Azuis, José Joffily reconstrói uma parte - talvez a mais esperada - da viagem daqueles que sonham em viajar nos Estados Unidos: a entrada no país.

Nos minutos que precedem o primeiro passo em solo americano fora do aeroporto o coração está acelerado, as emoções a flor da pele. Afinal, estas pessoas se dedicaram muito tempo para conseguir pagar o bilhete aéreo e conseguir reunir todos os outros documentos necessários para conseguir a permissão de entrar no país. Porém, nem sempre ter os documentos "OK" é garantia de que vá correr tudo bem.

Existem diversos fóruns de discussão e mesmo de ajuda para aqueles que querem fazer esta viagem. No site de relacionamentos mais acessado do Brasil, o Orkut, há comunidades em que as pessoas trocam todo o tipo de informações, desde o que se pode levar nas malas, o que não se deve levar, onde e como preparar o visto, custos, prazo, melhores cidades para se viver lá... Tudo! Há realmente um grupo de interessados organizados em "fazer acontencer" este sonho. Interessante também é perceber que após cruzar esta fronteira, muitas pessoas voltam a comentar nestas comunidades, trazendo depoimentos sobre a felicidade de estar lá e, certamente, excitando ainda mais a imaginação daqueles que ainda estão tentando conseguir visto.

Há quem queira ir para lá estudar, há quem queira ir para trabalhar e há aqueles que, independente do que vão fazer lá, almejam viver nos Estados Unidos da América. 

Esta vontade tão urgente de tentar a vida lá, muitas das vezes, levou pessoas a tentarem a travessia ilegal pelo México. Em 2005, a Rede Globo produziu e exibiu a telenovela "América", escrita por Glória Perez, que mostrou um pouco deste ideal quase "fanático", de pessoas que a qualquer preço querem ir viver nos Estados Unidos para tentar lá uma vida melhor.

A novela causou polêmica entre brasileiros que já viviam nos Estados Unidos, como se pode ler nesta matéria da BBC Brasil, dividindo a opinião: alguns se identificavam com o drama vivido pela personagem Sol (Débora Secco) e outros criticavam o que consideravam exagerado nas dificuldades que a personagem enfrentou.

Histórias reais, parecidas com as de Sol e dos latino-americanos do filme de Joffily é que não faltam. O filme Olhos Azuis, que vai para as telonas em 28 de maio, mostra toda a tensão já dentro do departamento de imigração americano, a barreira enfrentada por quem tenta fazer a entrada pela porta da frente, mas há também muitos relatos e notícias de pessoas que passaram por situações quase inacreditáveis ao tentar fazer a travessia ilegal, via México, como a jovem brasileira da notícia abaixo:

BBC Brasil:
Paulista teve que nadar e correr por duas noites

Quando pegou o vôo de São Paulo para o México, no dia 9 de maio, a paulista Daniela, 21 anos, nem imaginava como seriam seus próximos dias. Ela queria morar nos Estados Unidos e, depois de ter o visto americano recusado pelo consulado, achou que tinha um bom plano para entrar no país.

Daniela estudava inglês na cidade onde mora, no interior do Estado, e achava que nunca seria fluente no idioma se não passasse uma temporada nos Estados Unidos.

Estimulada por amigos que já viviam no Texas, ela decidiu arriscar a travessia ilegal via México, a exemplo do que fez uma amiga, alguns anos atrás. Daniela pagou um agenciador – um "coyote", como eles são conhecidos aqui nesta região da fronteira – para organizar a travessia de carro por uma das pontes que cortam o Rio Grande, na divisa do México com o Estado do Texas.

Mas a travessia fácil que ela tinha planejado – e pela qual combinou que pagaria US$ 2,7 mil – não aconteceu. Ela teve que atravessar o rio a nado.

"Quando me contaram que teria que nadar, pensei que fosse um córrego, com água até a cintura", contou Daniela. Bem diferente disto, o Rio Grande é estreito, mas é fundo, rápido, com uma correnteza perigosa, que às vezes não é vista da superfície.
Pacote turístico
A viagem começou com um pacote turístico para Cancún, com conexão na Cidade do México. Fazendo a rota de milhares de brasileiros todos os anos, ela não despertou desconfiança dos oficiais de Imigração que carimbaram seu passaporte na capital mexicana.
Mas Daniela não pegou o avião para Cancún. Ela passou o dia no aeroporto e no fim da tarde tomou um outro, para Reynosa, na margem mexicana do Rio Grande, divisa com os Estados Unidos.
 Eu não escolhi passar por isso. Pensei que fosse passar de carro, e no caminho tudo foi mudando.
Daniela
Foi aí que começaram as dificuldades. Única não mexicana do vôo, Daniela foi colocada numa sala e questionada durante várias horas por funcionários da Imigração de Reynosa, que só a liberaram quando o aeroporto estava para fechar, depois de pedir US$ 300. O tempo todo ela disse que estava na cidade para visitar amigos.
O pagamento de propinas a oficiais de Imigração mexicanos foi relatado ao cônsul brasileiro em Houston, Milton Torres da Silva, por vários brasileiros presos nos centros de detenção aguardando deportação para o Brasil.
"Eles me contaram que foram subornados por pessoas de farda, alguns já no aeroporto da Cidade do México", disse o cônsul.
Do aeroporto, Daniela foi levada ao Hotel Conchita, por um taxista arranjado pelo funcionário de Imigração, que não cobrou a corrida e fez questão de levá-la até a porta do quarto.
Ela recebeu telefonemas de um outro agenciador, oferecendo-se para levá-la até os Estados Unidos, mas a aventura começou mesmo quando ela foi contactada pelo coyote com quem tinha combinado a viagem, ainda no Brasil.
Só aí ela ficou sabendo que não atravessaria a ponte de carro, como tinha sido combinado, mas a nado. "Minha mãe queria que eu voltasse, mas eu resolvi seguir assim mesmo, porque não me dei conta do perigo e das dificuldades", contou.
Pneu de caminhão
Ela atravessou o rio, com a ajuda de uma câmara de pneu de caminhão. Eram duas mulheres, quatro homens e dois coyotes. "Atravessamos o rio e depois corremos, corremos até que não aguentei mais", contou.
Rio em Reynosa, fronteira México-Estados Unidos
Imigrantes combinam travessia de carro mas precisam cruzar fronteira a nado
Depois de andar e correr a noite inteira, foram recolhidos por uma pessoa de carro, que os levou até um hotel, onde passaram o dia sem poder sair do quarto.
Na noite seguinte, andaram de carro por uma hora e passaram outra noite andando e correndo por uma trilha no mato, na beira da estrada.
"De manhã chegamos a uma parada de caminhão, onde descansamos um pouco, veio um carro que nos levou até outro hotel. Depois veio uma perua que nos levou até Houston", contou Daniela.
"No total a viagem durou dois dias e duas noites. Dois dias escondida no hotel e duas noites andando."
Quando finalmente chegou a um local que considerou seguro, Daniela ficou uma semana de cama, delirando à noite, pensando nos perigos pelos quais passou. "É muito perigoso. Eu tive sorte, mas não aconselho ninguém a passar por isso", diz ela. (...) continua aqui
Esta notícia, como o depoimento de Jairo Macedo Sierra sobre a experiência de sua amiga com a imigração inglesa que reproduzímos aqui neste blog é outra história que parece filme. Quase inacreditável, não? 






Não perca de vista: Olhos Azuis - 28 de maio, nos cinemas.


Confira o trailer.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Parece filme...

Provavelmente quem já teve oportunidade de assistir ao filme Olhos Azuis deve ter lembrado de alguma história contada por um amigo ou conhecido sobre problemas ocorridos durante viagens, problemas nas fronteiras dos outros países, problemas que poderíamos, em uma palavra, chamar de desrespeito.

Navegando em busca de notícias sobre o tema do nosso filme - imigração - encontramos notícias poderiam muito bem passar por notas absurdas de ficção, mas infelizmente são reais.

Vejam só a história que encontramos nos comentários em uma notícia de 2008, Deportação e maus-tratos: uma realidade

Em 2006 eu e minha esposa fizemos uma viagem “a Europa com o único objetivo de fazer turismo.

Fomos muitíssimo bem recebidos na França, ficamos algum tempo em Paris quando decidimos visitar um casal de amigos em Londres. Entramos em contato com o casal e ficamos de visitá-los com nossa chegada programada para o dia seguinte.

Como a viagem de Paris a Londres leva cerca de oito horas de ônibus, compramos passagens e embarcamos rumo àquele destino, pois fomos orientados que uma vez aceitos por qualquer país da Comunidade não haveria obrigatoriedade da apresentação de vistos ou qualquer outra formalidade.

Ficamos detidos na aduana, nos fotografaram e carimbaram nossos passaportes como meio de impedir novas visitas, além de termos ficado incomunicáveis por mais de doze horas, sem alimentação ou local para descanso, e de sermos escoltados de volta a França em carro da polícia francesa, "carona" esta que jamais tive o desprazer de receber até mesmo em meu país.

O que mais me chocou é que ao chegar ao Brasil, escrevi para o Ministério das Relações Exteriores para denunciar o caso. Apesar de ter feito a postagem em Carta Registrada, até hoje Itamaraty sequer se dignou a nos responder, o que nos causou perplexidade.

Algo semelhante ocorreu com a amiga que eu ia visitar em Londres. Como não conseguimos ir à Londres, ela se dispôs a nos encontrar em Paris.

Ela ficou conosco em visita por três dias. No retorno para londres ela ficou detida por cerca de seis horas na mesma aduana inglesa que eu e minha esposa ficamos.

Os oficiais da imigração deram para ela um documento onde ela autorizaria a execução de um exame radiológico para constatar se ela estava ingressando no país com drogas dentro do estomago. Como ela estava em início de gestação, é claro, não autorizou. Ato contínuo, foi encaminhada para realização de "exame ginecológico", condição esta para que ela pudesse entrar novamente em território inglês.

Parece chocante? Digo mais, é absurdo, pois tal amiga é brasileira, mas possui cidadania portuguesa, o que a autoriza a entrar como européia em qualquer país da comunidade. Além do mais, possuia ela a este tempo endereço fixo e vínculo de emprego em Londres, ou seja, não é absolutamente o caso de ter sido confundida com uma imigrante ilegal, mesmo por que sua situação na Inglaterra era a de imigrante legal.

Quando ela me telefonou e contou o constrangimento pelo qual ela havia passado quando foi me visitar em Paris, eu disse a ela que estaria ainda naquela semana encaminhando uma Representação formal ao Itamaraty. Ela disse que faria o mesmo no consulado do Brasil na Inglaterra, assim como no de Portugal.

E qual o resultado de tudo isso? Minha missiva ao Itamaraty caiu no vazio. A reclamação dela no consulado brasileiro na Inglaterra também, sendo que a única representação diplomática que cobrou satisfação da Inglaterra pelo ocorrido com ela foi a diplomacia portuguesa.

Toda essa experiência me levou a crer que, se não somos respeitados no exterior é porque também não somos respeitados dentro de nosso próprio país.

Aprendi com isso tudo que mostrar nosso passaporte verde em qualquer país do mundo nos deixa atemorizados.

Felicito a iniciativa do governo brasileiro, ainda que tardiamente, de aplicar a política da reciprocidade, pois devemos, falando enquanto cidadão deste país, tratar os estrangeiros da mesma forma que por eles somos tratados quando viajamos.
É importante lembrar sempre que a dignidade humana não tem fronteiras e não respeita limites geográficos. (Jairo Macedo Sierra)

Olhos Azuis, de José Joffily, trata do tema da imigração, mas no longa-metragem, os latinos são barrados em um aeroporto dos Estados Unidos. Quer saber mais sobre o filme? Assista ao trailer no site oficial.








segunda-feira, 29 de março de 2010

Na vida real...

Recebemos um depoimento, talvez um pouco impreciso, por não se tratar de um relato vindo diretamente de quem viveu a situação, mas nem por isso, menos verdadeiro. Aliás, bom porque espontâneo. O comentário abaixo conta um pedacinho da trajetória de pessoas que, como os latino-americanos do nosso longa-metragem, não criaram raízes em suas terras e buscam a "felicidade" além das fronteiras:

Eu não passei por caso como esses (referência ao filme "Olhos Azuis"), mas conheci no Espirito Santo um amigo que passou por um certo, aliás, grande constrangimento. Não sei se esse relato ajudaria, pois estou no Rio agora e não tenho tido mais contato com ele há muito tempo. Bem, ele como bom mineiro de Valadares, tinha o sonho de morar nos EUA e um dia conseguiu o dinheiro e viajou para Miami, só que ao chegar no areroporto, foi "selecionado", revistado, interrogado e proibido de entrar no país. Teve que voltar de lá mesmo, sem permissão nem de olhar a rua do aeroporto de Miami, pois foi deportado imediatamente. Ele era um jovem mineiro, moreno claro, tipico latino... e com certeza isso contou muito.

E também, a prima da minha cunhada, brasileira, casada com um boliviano e com um filho, foram para Espanha tentar a vida, mas com a "crise" conheceram todo o tipo de dificuldades por lá e com certeza muita discriminação e vieram embora, chegaram agora no inicio de março... agora foram para a Bolivia tentar a vida lá na terra dele. (Lany Nascimento)

Se você também tem histórias sobre imigração para contar, escreva para: coevosfilmes@gmail.com e dê o seu depoimento.

terça-feira, 23 de março de 2010

Clipping

Metrópole Cultural, março 2010:





Tatuí Filmes, março 2010:





UOL CINEMA, março 2010:

RollingStone, julho 2009:


RollingStone, julho 2009:

O Globo, julho 2009:


Blog do Bonequinho, julho 2009:





Último Segundo, julho 2009:


Revista Kodak, outubro 2008:




Outros Cartazes:










Folha Online, dezembro 1998

José Joffily finaliza filme "Olhos Azuis", sobre imigração
AJB 25/12/98 15h49

Do Rio de Janeiro

 

A situação é familiar aos milhares de brasileiros que já foram barrados pela imigração americana e submetidos ao mais humilhante dos questionários. A intolerância e o medo dos países ricos em relação aos pobres, demonstrado explicitamente na porta de entrada dos aeroportos, será o tema do próximo filme de José Joffily, "Olhos azuis", cujo roteiro está em fase final de elaboração. "Quero falar sobre o pânico que os países desenvolvidos têm diante dos imigrantes", conta Joffily, diretor de "A maldição de Sampaku" e "Quem matou Pixote?" (melhor filme em Gramado, 97). "Assim como os prédios da classe média vão se cercando de grades, os países ricos também se fecham e constroem suas próprias cercas", explica o diretor.

Nas pesquisas feitas para desenvolver o argumento de "Olhos azuis", Joffily descobriu que, nos últimos 20 anos, 1,5 milhão de jovens deixaram o Brasil. Para 80% deles, o único destino imaginado é os Estados Unidos. "Na minha época, as pessoas deixavam o Brasil por razões políticas, e os Estados Unidos eram a última opção. Hoje as motivações são outras, principalmente socioeconômicas", afirma o cineasta.

O protagonista de "Olhos azuis" é Antônio Carlos, um homem de 35 anos que visita o Brasil depois de dez anos morando fora. Um reencontro com a ex-mulher e a filha faz com que ele desista da vida de imigrante e decida voltar de vez. Mas, antes, ele precisa ir a Miami uma última vez, para buscar suas coisas e sacar as economias. Quando chega ao aeroporto, porém, é detido junto com outros sete latinos. A decisão é de Marshall, 65 anos, chefe do setor de imigração do aeroporto. No seu último dia de trabalho antes da aposentadoria, Marshall revolve "dar um exemplo" àquelas oito pessoas escolhidas ao acaso.

Além de Antônio Carlos, ficam detidos Orlando Paz, um médico boliviano que mora em Nova Iorque; Lalo, um turista chileno; Roberto e Assumpta, casal de poetas equatorianos; Antice, ex-militar argentino; Calipso, uma bailarina cubana; e Rogério, homossexual que está se tratando de Aids nos Estados Unidos. Todos latino-americanos, todos com os devidos vistos de autorização para entrar na "América", e todos submetidos à arbitrariedade de Marshall, o "porteiro da América", na definição de Joffily.

"Depois de um prólogo em que a situação é apresentada, o filme se torna um tenso drama entre quatro paredes", descreve o cineasta, que está acompanhando o desenvolvimento do roteiro escrito a quatro mãos por Jorge Duran (de "Pixote") e Melanie Dimantas (de "Carlota Joaquina"). "Vamos montar um elenco latino, o mais diversificado possível", diz. A situação vai se tornando cada vez mais delicada, ao ponto de um dos funcionários de Marshall se irritar com seus métodos e dos latinos se unirem para protestar.
O título "Olhos azuis" foi retirado de um teste que leva esse nome, aplicado pela psicóloga Jane Elliot em várias empresas dos Estados Unidos. "Ela inverte a situação e submete as pessoas que em geral estão no confortável papel dominante a um papel de humilhação e subserviência", conta Joffily. "Ela é louca, mas obtém resultados interessantíssimos". Esse teste será aplicado por Antônio Carlos em Marshall em sua tentativa de virar o jogo.

Durante a elaboração do argumento, Joffily colecionou histórias de gente que passou por situações semelhantes. "A tortura começa na hora de tirar o visto. Existe uma arrogância impressionante por parte dos funcionários que detêm esse poder", diz. "Nessas horas, não existe o politicamente correto. A cor da pele e a situação social são determinantes", acredita o cineasta.
Além de "Olhos azuis", que já está na fase de captação de recursos pela Lei do Audiovisual (e cujas filmagens provavelmente se realizarão em março), Joffily já tem outro projeto. Ele adquiriu recentemente os direitos de adaptação do livro "Achados e perdidos", segundo romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza (o primeiro foi "O silêncio da chuva", que está sendo adaptado por Murilo Salles).

"Achados e perdidos" é uma história inteiramente situada em Copacabana, envolvendo o assassinato de uma prostituta e de vários meninos de rua. "Fui criado em Copacabana e o cenário me fascina. Também gosto muito da galeria de personagens que Luiz Alfredo montou", conta. O primeiro tratamento do roteiro é trabalhado por Paulo Halm ("Pequeno dicionário amoroso", "Guerra de Canudos").