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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Uma pequena entrevista com José Joffily

Do blog: Aventuras de uma Gringa, por Rachel Glickhouse.

Como vocês já devem saber, o filme Olhos Azuis estreia hoje no Brasil. A longa trata da imigração, das relações entre a América Latina e os EUA, e dos relacionamentos. O ator americano David Rasche faz o papel do oficial cruel no aeroporto JFK, e os atores brasileiros Irandhir Santos e Cristina Lagos são o protagonista e a heroina, respectivamente. O filme é muito interessante e vale a pena ver. Para vocês que moram aqui nos EUA, tenho boas notícias: acabei de saber que o filme vai estreiar em Nova York no Festival Inffinito de Cinema em junho.

Esta semana, fiz uma pequena entrevista com o diretor, José Joffily, sobre sua experiência com o filme e para tirar umas dúvidas minhas. Se vocês tiveram mais perguntas para ele depois de ver o filme, deixem um comentário e posso ver se ele ou a assessora dele pode responder.

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Entrevista com José Joffily

Ao final, que aconteceu com seu amigo (que morava nos EUA)? Ele ajudou com o filme?
Ele está vivo e feliz. Depois de deportado, conseguiu voltar. Adora viver na América. Ele não viu.

Qual é a sua cena preferida no filme, e por que?
Gosto muito do relato do Marshall quando a ficha cai e subitamente entende o boliviano de quem tinha desconfiado. Talvez porque seja um cena que tenha caído por questões de produção, mas gostavamos tanto dela que, como não podiamos filmar, contamos...Gosto também da dança que vem em seguida, pelo que ela promete que possa mudar na dupla.

O que você aprendeu durante sua experiência fazendo o filme?
Mais uma vez entendi que é apenas um filme.

Você pensa em fazer mais filmes "internacionais" com um elenco e um tema sobre pessoas de vários países?
Não estou me programando para este modelo. Todo filme é um protótipo, o cinema se reinventa a cada filme.

Você já teve uma experiência constrangedora com em um aeroporto nos EUA ou na Europa?
Estou meio velho, os senhores oficiais não são instruídos a desconfiarem dos anciões.




Jornal do Brasil, Caderno B, 28 de maio de 2010.


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O Globo, Rio Show, 28 de maio de 2010.
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Portal PLUS TV, maio 2010.

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Sobre trauma e humilhação

Laboratório Pop, por Daniel Passi, maio 2010.



Olhos azuis conta a história de Marshall (David Rasche), chefe do departamento de imigração americano, que no último dia antes da aposentadoria resolve se divertir à sua maneira, detendo um grupo de latino-americanos e expondo-os a situações humilhantes. Alcoólatra, com seus atos Marshall faz a noite tomar um rumo inesperado. Anos depois, usando como referência um vídeo dentro de uma câmera portátil, ele sai à procura de uma pequena menina por Pernambuco, contando com a ajuda da prostituta Bia. Este é um filme sobre palavras. Aqui elas agem como bombas e parecem ter o mesmo peso dos galopantes tambores de maracatu que abrem os letreiros iniciais.

Como uma grande lavação de roupa suja sem restrições morais, Olhos azuis nos mostra o ódio e o rancor ocultos de uma nação traumatizada pós 11 de setembro, representada pela figura de Marshall. Dirigido por José Joffily (Dois perdidos numa noite suja), ganhador do Festival de Paulínia de Cinema 2009, trata-se também de um filme sobre contrastes. Dicotomizam rico e pobre; claro e escuro; espaços claustrofóbicos e abertos. Não há hesitação em jogar o espectador de um lado para o outro, criando com essa agilidade uma intensa carga dramática.

Duas histórias acontecem paralelamente. Uma, em flashback, se passa inteiramente dentro do sufocante espaço do departamento de imigração de um grande aeroporto americano. Com uma iluminação fria e sons de vertigem ao fundo, a realidade é exposta de maneira crua. Para tal, Joffily lança mão de um tom documental, alcançando, porém, um nível de veracidade maior do que qualquer documentário conseguiria atingir. Talvez este seja o aspecto mais perturbador da obra — isto pode estar acontecendo neste momento, em qualquer aeroporto americano, e não há nada que possamos fazer.

Todos os personagens presos neste limbo são uma síntese, uma unidade representando um drama coletivo. Embora postos no mesmo saco latino pelos oficiais, fica clara cada particularidade. Temos o mestiço brasileiro que, saído de uma pequena cidade do interior, tenta a vida em outro país (impossível não vir à cabeça a imagem de Jean Charles); a dançarina cubana morena que mesmo conseguindo um visto cultural ainda assim é importunada por conta de Fidel; a equipe esportiva com traços andinos.

O casal de poetas argentinos é a inteligente escolha que o filme faz de não vitimizar ninguém: embora estejam saindo de Buenos Aires por não conseguirem grande aceitação de seus trabalhos, financiam sua ida traficando cocaína para os "viciados americanos", escondendo a carga dentro de seus livros (detalhe para o hilário título: Poesias y algo más).

Na situação de fragilidade em que todos se encontram, os viajantes são submetidos por um Marshall cada vez mais alterado pela garrafa de Jack Daniels que consome desde o começo do expediente e sua equipe (uma negra e um descendente de mexicanos) a tormentos desnecessários. Em especial o brasileiro Nonato (interpretado com vigor por Irandhir Santos em cartaz com Quincas Berro D’água e como a voz do protagonista itinerante de Viajo porque preciso, volto porque te amo). Na escalada de acontecimentos que se seguem, o que vemos é a reação natural de qualquer ser humano exposto a abusos físicos e psicológicos, seja ele latino, americano ou árabe — a razão é deixada de lado, torna-se então uma bomba relógio ambulante.

Corta para os grandes espaços abertos de Petrolina. Da excessiva organização burocrática do aeroporto somos jogados para Recife durante o carnaval. Da iluminação fria e artificial, para a brutal luminosidade do sertão pernambucano. Agora com todo o lirismo de um road movie, vemos Marshall, doente e alcoólatra, buscar anos depois sua redenção, como em todo filme do gênero que se preze. Para isto conta com a ajuda de Beatriz (Cristina Lago), perfeitamente a imagem estadunidense de um país latino-americano — uma prostituta com um vocabulário importado do lixo cultural estrangeiro, abundância de shits e fucks. No emocionante desfecho da história, mais uma vez a força das palavras é celebrada, mesmo que aqui sejam as que não são ditas.

Embora todos os atores estejam no tom, é David Rasche quem mostra sem dúvida uma das melhores atuações de sua carreira. Pouco conhecido do público brasileiro, foi definitivamente uma escolha acertada. Destaque também para Frank Grillo que interpreta Bob, o outro oficial de imigração. Grillo e Rashe, ao pesquisarem para o papel em aeroportos americanos, alcançaram um realismo embasbacante.

Simbólico, Olhos azuis é um dedo na ferida ainda bastante aberta do preconceito que o fará ficar sentado na poltrona depois que aparecerem os letreiros finais. Um dos poucos filmes atuais que faz o que uma boa obra de arte tem de melhor. Isto é, ser um fomentador de discussões. Olhos azuis é um filme obrigatório.

Olhos Azuis: sendo mais humano

Cinetotal, por Rod Carvalho, maio.
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Cinema.com.br, por André Moreira, maio. 

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OLHOS AZUIS 28 DE MAIO NOS CINEMAS!

Almanaque Virtual.

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pré-estreia do filme Olhos Azuis no Rio de Janeiro

Quem também marcou presença na noite de ontem (25/05), prestigiando a pré-estreia do filme Olhos Azuis, de José Joffily, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, foram Deborah Secco e Dudu Azevedo.
                                                                                                  
Deborah Secco na sessão especial do filme Olhos Azuis
                                                       
Deborah Secco e Dudu Azevedo na pré-estreia de Olhos Azuis

Fotos: Ag. News

Noite de pré-estreia no Rio de Janeiro

Ontem foi a nossa pré-estreia carioca para convidados. Tivemos o prazer de poder contar com a presença de quase todo o elenco. Agora, a menos de 48 horas para estreia, só nos resta mesmo confiar no talento da nossa equipe e nos entregar para a maravilha deste delicioso momento. O sentimento é o de dever cumprido, em um misto de orgulho e satisfação. Parabéns a toda equipe e ao maravilhoso elenco que topou contar esta história!


Irandhir Santos, Cristina Lago, Pablo Uranga, José Joffily, Valéria Lorca e Branca Messina
Valeria Lorca,José Joffily, Cristina Lago e Branca Messina

Fotos: Ag. News
O filme agora é de vocês, aproveitem! A partir desta sexta-feira (28) nos cinemas!


quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Hermanos" camaradas

O GLOBO: Segundo Caderno, 18 de maio 2010.

Com seu cinema num ótimo momento,atores argentinos participam de cada vez mais filmes brasileiros.
 
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Crítica ao filme Olhos Azuis

Do blog: The Best, maio 2010.

O filme “Olhos Azuis” do diretor José Joffily estreiará, em circuito nacional, no dia 28/05 e nós estivemos na sessão de pré- estreia dele, que aconteceu no Rio de Janeiro. Tivemos a ilustre presença do diretor José Joffily falando rapidamente sobre o filme e suas expectativas.

O roteiro que ficou parado por 9 anos e somente se concretizou após ser aprovado pelo circuito Petrobrás e pela ANCINE, através do Prêmio de Qualidade (PAQ). O que mostra que um roteiro com um bom argumento é sempre bem atual e pode ser utilizado, com algumas modificações, a qualquer momento sem perder a fidelidade ao original.

A historia do filme baseia-se na vida de Marshall (David Rasche), que é o chefe do departamento de imigração do aeroporto JFK em Nova York. Ele está se aposentando e em seu último dia de serviço resolve se divertir complicando a vida de alguns latinos que desejam entrar nos EUA. Entre eles encontra-se Nonato (Irandhir Santos), dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Neste dia acontecimento irão mudar para sempre a vida do americano, que 2 anos depois vem ao Brasil procurar uma menina. É onde ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia.

O filme se passa em dois ambientes distintos, que ocorrem em momentos diferentes e que se entrelaçam em um momento chave. Ele baseia-se muito na característica americana de achar que todos os latinos que chagam ao país estão querendo sugar suas riquezas monetárias e tirar os empregos dos americanos.

Conta com interpretações impecáveis de Irandhir Santos e David Rasche que dividem com louvor, os protagonistas do filme. O filme ainda conta com Cristina Lago fazendo um papel importante e mostrando a beleza da mulher brasileira. Este ano temos vários filmes com participações de Irandhir Santos estreando e que devem estrear em breve, pois ele, além de fazer parte de Olhos Azuis, participa do elenco de “Quincas Berro D’Agua “e fará parte de “Tropa de Elite 2“
Para quem acha que assistirá um filme nacional e não necessitará ler legendas, se prepare pois ele conta com várias línguas (português, espanhol e inglês) e é quase totalmente legendado. Inclusive esse é um dos pontos altos do filme, que conta com atores “regionalizados”, ou seja os atores são dos países de seus personagens.
O filme me surpreendeu pela riqueza de detalhes que o diretor conseguiu transmitir ao público, pela fotografia encontrada no filme e pelo roteiro que é perfeito. O filme “Olhos Azuis” faz jus a todos os 6 prêmios que recebeu no Festival de Paulínia de 2009 ( Melhor filme, Melhor roteiro (Paulo Halm e Melanie Dimanta), Melhor montagem (Pedro Bronz), Melhor atriz (Cristina Lago) e Melhor ator coadjuvante (Irandhir Santos).

Você pode seguir pelo twitter: @olhosazuisfilm







Em “Tropa de Elite 2″, Irandhir Santos diz que seu personagem pode ”peitar” até o Capitão Nascimento

Fonte: Cinema UOL, maio 2010



Por Alysson Oliveira
 

Quando o diretor Sérgio Machado estava fazendo a seleção de elenco para seu filme “Quincas Berro D’Água”, diversas pessoas chegavam até ele com o mesmo comentário. “Você precisa conhecer esse tal de Irandhir Santos. Ele é um gênio”. Depois de tanta insistência, o cineasta já estava certo de que o ator estaria em seu filme. Mesmo assim, pediu para o “gênio” fazer um teste. E qual não foi a sua surpresa? Irandhir era mesmo um gênio.

Quando se lembra dessa história, que Machado contou na coletiva do filme em São Paulo, o ator ri e desconversa. “As pessoas só falavam bem por que paguei para elas fazerem propaganda de mim”, brinca. Alguém desavisado pode até acreditar, mas quem acompanha cinema brasileiro já deve ter percebido que Irandhir Santos é um dos nomes do momento, e não apenas porque só no mês de maio estreiam três filmes nos quais ele tem papeis importantes, “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, “Quincas Berro D’Água” e “Olhos Azuis”. Mas também porque no segundo semestre ele estará nas telas em um dos filmes mais aguardados do ano, “Tropa de Elite 2”.

No filme de José Padilha ele faz Diogo Fraga, um defensor dos direitos humanos que, segundo o ator, “diz não à política de segurança pública, uma política de repressão contra os pobres, os moradores dos morros”. Em outras palavras, ele bate de frente com o ex-capitão, agora coronel Nascimento (novamente interpretado por Wagner Moura)? “Ele peita qualquer personagem que seja a favor dessa truculência, desse domínio vigente. Qualquer um mesmo, até o Nascimento, se ele foi a favor dessa política”, disse Santos ao UOL Cinema.
O personagem foi um convite de Padilha, que também tinha ouvido só elogios sobre o ator vindos do diretor de fotografia Lula Carvalho e da respeitada preparadora de elenco Fátima Toledo, que havia trabalhado com Santos em “Besouro” (2009) e em “Quincas Berro D’Água”. Fraga, segundo o ator, foi inspirado no deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL). “Ele e a Fátima me ajudaram muito a construir esse personagem. Mesmo antes de começar a preparação, fiz pesquisas sobre o assunto e o nome dele sempre aparecia ligado à defesa dos direitos humanos no Rio. Quando fiquei sabendo que o Diogo era baseado nele, me emocionei”, admite. O político, inclusive, não apenas ajudou na preparação para o personagem, como também visitou o set diversas vezes e acabou fazendo uma ponta no filme, na plateia durante um debate.

Santos, que no longa contracena bastante com Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van Held, disse que só percebeu a dimensão do filme quando as filmagens encerraram e ele voltou para sua casa, em Recife, e todo mundo começou a perguntar como seria “Tropa de Elite 2”. “Isso nunca tinha me acontecido antes. Todo mundo está curioso para saber como será. O que eu posso adiantar é que, com certeza, o filme vai levantar muita discussão, pois esse é o ponto forte do cinema do Padilha, trazer à tona questões importantes que precisam ser discutidas”.
 
Antes e depois da "Tropa"



Antes de “Tropa de Elite 2”, o ator poderá ser visto nas telas em trabalhos que a única coisa que têm em comum é a presença de Santos. São três filmes e personagens bastante diferentes. Em cartaz em diversas cidades do país está “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Nele, o ator é o protagonista – mas de uma forma bastante inusitada. Nunca o vemos em cena, apenas ouvimos a sua voz. “Foi um desafio: como mostrar o sentimento sem aparecer na tela? Como estar presente sem estar presente?”

Para encontrar uma forma de estar em cena sem nunca aparecer fisicamente, Santos explica que o trabalho dos dois diretores foi fundamental. “O instrumento de trabalho do ator é o corpo. Quando me vi sem a possibilidade de usar o meu corpo, tive de explorar a minha fala. Percebi que a voz pode ser tão importante quanto o corpo. Eles me ajudaram a encontrar a entonação certa em cada momento da vida do personagem”.

O convite para esse trabalho partiu de Gomes, que havia trabalhado com o ator em “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005). Primeiro Santos gravou toda a sua narração sem ver as imagens. Depois, usando essa gravação como parâmetro fez novas locuções, agora vendo o longa. “O resultado é mágico. Com o filme pronto a gente entende o que é a poesia no cinema”.
 
Já em “Quincas Berro D’Água” (previsto para estrear dia 21), o ator é um dos amigos do morto beberrão interpretado por Paulo José. Santos. Ao lado de Flávio Bauraqui, Luiz Miranda e Frank Menezes, forma um quarteto de amigos inseparáveis, companheiros de bebedeira do personagem-título. “Fizemos uma preparação de dois meses com a Fátima. Isso foi importante para nos aproximar e nos tornarmos amigos de verdade, não apenas na tela. Isso traz uma grande verdade para o filme”.




Se esse lado foi diversão na preparação para “Quincas Berro D’Água”, houve outro que foi um desafio. A pedido da preparadora, eles simplesmente deviam encarar Paulo José como um homem comum, deixar de lado tudo o que ele representa para a história do cinema brasileiro. “O Paulo era surpreendente em cena e nos trouxe uma energia muito legal, uma vitalidade. Mas não foi fácil deixar nosso lado tiete de fora. No fim, foi um grande aprendizado, há muito a se aprender com ele. Eu tenho o maior orgulho de ter feito esse filme com ele”.

Ainda em maio, previsto para o dia 28, chega aos cinemas “Olhos Azuis”, no qual Santos, dirigido por José Joffily (“Achados e Perdidos”) interpreta um brasileiro que mora nos EUA e tem dificuldades de voltar ao país depois de uma viagem ao Brasil. A maioria das cenas do ator são em inglês. Nelas, ele contracena com um trio de americanos, encabeçado por David Rasche (“Queime Depois de Ler”, “A conquista da honra”).


Santos conta que falava inglês, mas não tinha fluência. “Foi preciso um trabalho com um professor de Recife para que eu deixasse meu inglês no ponto como o personagem falaria. Não podia ser muito certinho, pois ele aprendeu na rua mesmo, na vivência do dia-a-dia”. Para ele, foi uma experiência bastante inusitada, mas surpreendente. “Durante as filmagens, eu estava bastante confiante e o diretor nos deu bastante espaço para improvisar”.

O próximo passo na carreira de Santos será fazer um segundo filme com Cláudio Assis (“Amarelo Manga”), que se chamará “A Febre do Rato”. Ele teve uma participação em “Baixio das Bestas”, que conseguiu depois de muitos testes – mas agora será o protagonista. “Eu não sei muito sobre o meu personagem. Mas sei que será um filme muito surpreendente na carreira do Cláudio. Agora é uma história de amor. Acho que todo mundo vai se espantar”.

Santos se orgulha de que o convite para atuar em “A Febre do Rato” tenha partido do próprio diretor. As filmagens devem começar no início do segundo semestre. Até lá, o ator de 31 anos não para. Ele confessa que nos últimos três anos esteve muito envolvido com cinema, e agora quer voltar às suas origens, o teatro. “Eu comecei fazendo teatro na escola. Foi aí que me descobri, não posso abandonar isso. Estou com diversos projetos que pretendo tocar com meus amigos”.
 
Link para matéria no UOL.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Expurgo de pecados na busca pela humanidade

Do Blog: Doidos por Cinema, por Carlos Bacellar, maio 2010.

Credenciado pelos seis prêmios que arrematou no Festival de Paulínia 2009 − melhor roteiro (Paulo Halm e Melanie Dimantas), melhor atriz (Cristina Lago), melhor ator codjuvante (Irandhir Santos), melhor som (José Moreau Louzeiro) e melhor montagem (Pedro Bronz) −, a produção “Olhos azuis”, novo longa do diretor paraibano José Joffily, aquece os motores para sua estreia no circuito nacional, marcada para o próximo dia 28.

Ontem à noite, num esforço sob o binômio divulgação/medição da receptividade do público, foi realizada sessão exclusiva do filme para blogueiros, no Unibanco Arteplex. E o Doidos marcou presença.

“Olhos azuis” é um thriller que abarca elementos de suspense, drama e aventura policial. O elenco cosmopolita é formado por atores americanos, argentinos, hondurenhos e brasileiros.

O primoroso roteiro de Halm e Dimantas – que, infelizmente, ficou congelado durante nove anos, aguardando viabilidade – ganha movimento e colorido hipnóticos por meio das lentes de Joffily, e nos leva à reflexão.

Somos apresentados ao chefe da imigração do Aeroporto JFK (Nova Iorque), Marshall (David Rasche), que, em seu último dia de trabalho, resolve extrapolar sua autoridade e abusar de um grupo de latinos que deseja entrar nos EUA. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), um brasileiro radicado nos States que retorna ao país após visitar a filha no Brasil; Assumpta (Valeria Lorca) e Martin (Pablo Uranga), dois poetas argentinos que acreditam que seus versos terão melhor ressonância na terra do Tio Sam; Calypso (a encantadora Branca Messina), uma bailarina cubana; e um grupo de lutadores hondurenhos, liderados por Augustin (Hector Bordoni).
 
Ladeado por dois subordinados que almejam uma promoção que engordará seus salários − Sandra (Erica Grimpel) e Bob (Frank Grillo) −, Marshall leva os imigrantes ao limite, expondo-os a situações cada vez mais constrangedoras. Descontrolado pela bebida, que entorna como se fosse água, o chefe da imigração acaba jogando o livro de conduta profissional no lixo e humilha Nonato até o ponto em que a indignação atropela a paciência. Tal atrito gera um confronto de consequência trágicas.

O duelo entre os dois atores produz um dos mais belos momentos do cinema. A sinergia dramática lembra, não por acaso, o desempenho de Christopher Walken e Dennins Hopper em “Amor à queima-roupa”, de Tony Scott. Talvez a troca de diálogos mais antológica das últimas décadas. Nas duas situações, dois talentos entram em rota de colisão: um entorpecido pelas drogas (não preciso comentar sobre Hopper, não é verdade?), o outro acuado pela aflição fruto da humilhação degradante. O embate expõe a chaga da paranoia americana, que não parou de infeccionar após os atentados de 11 de setembro de 2001, em contraponto com o desespero de cidadãos latinos que só querem tocar suas vidas de forma digna.

Com o espírito empalado pela culpa, o americano parte numa jornada em busca da reparação – ele está além de qualquer redenção. Como um elemento extra de suspense, o ex-buldogue da alfândega americana está com os dias contados por causa de um câncer que o consome por dentro. Marshall, em seu calvário existencial e físico, abandona o Brasil dos cartões postais e atravessa o nosso Nordeste em busca da filha de Nonato, a quem deseja indenizar. Na companhia da prostituta Bia (Cristina Lago), que acaba se tornando sua fiel escudeira, ele cruza o sertão até encontrar a bela região do rio São Francisco, e o objetivo de sua jornada. Bia e Marshall possuem caminhos distintos que, em determinado momento, se cruzam por obra do acaso. Joffily fala que os dois personagens buscam suas origens, sejam elas geográficas ou humanas:

“A Bia não é apenas um personagem funcional na história. Ela vai sendo construída no sentido de entender o que leva uma pessoa a sair de sua casa, abandonar seu passado por um futuro incerto. Ela mesma sai do sertão para o Recife. E depois volta à sua raiz. O americano, faz o caminho inverso, ele sai do seu país para reencontrar sua natureza, o que ele perdeu em sua trajetória de embrutecimento.”

É interessante destacar a interpretação de Halm, que dá contornos distintos a cada dimensão espacial: “a migra é quase uma anti-sala do inferno, e a viagem pelo Nordeste, uma redescoberta que leva ao paraíso”.

Depois da desastrosa era Bush, é inevitável pensar em Marshall como uma metáfora imperialista. Mas, o diretor nunca imaginou o personagem dessa forma:

“Nunca tratei o Marshall (David Rasche) como uma personagem metáfora. A Sandra (Erica Gimpel) e ao Bob (Frank Grillo), que apesar de suas origens negra e latina, agem de forma preconceituosa, revelam que o preconceito não é só de fora para dentro. Ele também age nas entranhas do país.”

É cômodo também imaginar uma estrutura maniqueísta ditada pelo roteiro, mas Paulo Halm não iria subestimar a inteligência do público com didatismos anacrônicos. Joffily reforça esse pensamento:

“Não existem bons nem maus na história. Todos têm razão. O Marshall, alcoólatra e revoltado com a aposentadoria obrigatória, tem razão em muitas de suas falas. Ele está doidão, mas suas considerações estão presentes em corações e mentes americanas. Idem o Nonato (Irandhir Santos). Ele também interpela os oficiais de forma abusada, mas suas falas revelam um julgamento comum a boa parte dos latinos.”

A relativização da verdade também reforça as fronteiras ambíguas que separam direitos e deveres dos protagonistas. Na verdade, o antagonismo é determinado pela força da situação, como bem delineia Halm:

“Não existe uma verdade única, todos têm razões diferentes, a verdade se torna um mosaico, vai mudando à medida que o ponto de vista é deslocado. Ela toma a forma tanto do americano quanto dos latinos. O Marshall com toda a sua arrogância quer transformar o último dia dele na imigração num espetáculo. Mas ele perde o controle e a situação acaba se voltando contra ele.”

Destaques do filme, montagem, fotografia – capturada pelas lentes de Nonato Estrela, que explorou com competência as belíssimas paisagens do nordeste brasileiro − e som maravilham os sentidos e criam as condições necessárias para que ocorra a simbiose perfeita entre interpretação e encenação. A edição é definida por Halm como um jogo de espelhos que brinca com a faceta cronológica:

“Criamos uma duplicidade de leitura: a ideia de sair do inferno em busca do paraíso. A história é contada em tempos paralelos, criando um jogo dramático interessante. O tempo da migra, mais tenso e agressivo. E o tempo da viagem de Marshall (Recife a Petrolina), num ritmo de observação e percepção.”
A habilidade na utilização do som foi fundamental para definir os espaços e criar identidades para as ambientações, coroando tanto o trabalho de José Moreau Louzeiro como o de Jaques Morelenbaum (trilha sonora), como confirma Joffily:
“Assim como no tratamento fotográfico, também no som, procuramos distinguir os dois mundos, reforçar as diferenças também na edição de som: o espaço da migra e o Nordeste. A migra não comportava música, ali, apenas os ruídos deveriam reinar. Caprichamos nesse tipo de sonoridade, dispensando a melodia. A fotografia, a edição de som, a direção de arte, tudo foi numa única direção. A música atonal do Jaques (Morelenbaum), contribuiu generosamente com a ruidagem do filme. De modo que, algumas vezes, fica difícil identificar o que é uma e outra.”

Não há como ficar impassível às violências do filme – a psicológica; a que é imposta pelas circunstâncias de pobreza e privações; e a de fato. E o mais perturbador é perceber que nem toda repressão do mundo é à prova de falhas. Paulo Halm ilustra o discurso vazio do poder:

“Ironicamente os únicos que entram nos Estados Unidos estão com droga, os argentinos que são mulas, estão participando do logística do tráfico. Essa ironia torna o discurso do controle vazio e inócuo. Apesar de todo o aparato de controle da migra, o discurso não funciona. Da mesma forma que eles deixaram passar os caras que derrubaram as Torres Gêmeas.”

“Olhos azuis” tem um quê de militância. Muitos vão encará-lo como um libelo contra a intolerância. Nas palavras de Halm, o sinal amarelo está aceso:
“Qualquer pessoa que já viajou para fora do Brasil, passou, em algum grau, por constrangimento. Parece que o viajante cometeu algum crime. Em tese somos meliantes, contrabandistas. Seja na ida, seja na volta, devemos nos submeter a algum tipo de ritual de exceção, somos mal tratados fora e dentro do país. Inevitavelmente qualquer viajante vai passar por algum tipo de desconforto. Ocorre que as metrópoles estão recebendo hordas. Isso é uma bomba relógio.”

Na cena final, Marshall caminha em direção aos braços de Iemanjá e lava nossa alma com o que de melhor surgiu na filmografia nacional este ano. A água salgada deixa um gosto amargo em nossas gargantas, mas desidrata atitudes que escondem horrores, e abre o canal para o diálogo.

 

Carlos Eduardo Bacellar

Crítica: Olhos Azuis

Fonte: Rosemar Schick/SaladaCultural

Ao entrar nos EUA pessoas de vários países são detidas na imigração, onde um oficial-responsável pela liberação de entrada- embriagado, asqueroso, dá as ordens abusando do seu poder. Outros 2 assistentes entram no jogo de perguntas e respostas, dizem ser necessário para carimbar o passaporte-, o que começa a irritar 1 brasileiro (Ihrandir Santos) e transforma a espera num pesadelo para todos.

Entre os imigrantes, todos povos latinos, uma cubana estudante de balé clássico-afirma ter visa pq o governo cubano libera assuntos relacionados a cultura-, uma poetisa argentina com marido, um grupo de Honduras, etc
A situação começa a se desvendar partindo do futuro onde Marshal (David Rasche), o oficial, se encontra em Recife procurando uma menina com a ajuda de uma garota que conhece nas ruas (Cristina Lago). No vai e vem de presente e futuro é possível saber o que aconteceu, mas que será revelado apenas no final, embora previsível.

Este é uma real visão do "Sonho Americano" -trabalhar nos EUA e ficar rico ou, pelo menos se dar bem... sonho este acalentado por vários brasileiros que acabaram retornando sem realizar nada. A ilusão de que em outro país a vida será menos miserável cria objetivos meio malucos.

Atores brasileiros e americanos, maior parte do filme em inglês, vai ajudar na distribuição em outros países, reunindo um time de primeira, excelentes atuações que chega mesmo a irritar.

O diretor é José Joffily-Quem matou Pixote?
 
Foi premiado no Festival de Paulínia- num pequeno reduto em SP- mas fará grande carreira.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O novo cara do cinema nacional

Diário de Pernambuco - Recife /PE, maio






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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Olhos Azuis na seleção dos melhores filmes da Bravo!

Olhos Azuis vai ao Ponto Cine!

Conhecem o Ponto Cine? Aí vai uma dica:

"O Ponto Cine é a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil, inaugurada em 2006, no Guadalupe Shopping, Zona Norte do Rio de Janeiro. Construída em modelo estadium, tem capacidade para 73 pessoas. É toda climatizada e automatizada. Suas poltronas são ergonômicas e duas de suas fileiras - uma vertical e outra horizontal - são equipadas com acentos especiais para obesos. O Ponto Cine é detentor da maior taxa proporcional de ocupação do País. E em agosto de 2009 passou a ser o Primeiro Cinema da América Latina a possuir o Selo Carbon Free. Prêmios: PAR Ancine - Agência Nacional de Cinema -, como o Maior Exibidor de filmes Brasileiros em Todo o Brasil 2007, 2008 e 2009. Prêmio Adicional de Renda 2009, pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. “Faz Diferença 2009”, maior prêmio de reconhecimento público do País, oferecido pelo Jornal O Globo, na Categoria Cinema, pelos serviços prestados de difusão e democratização do acesso ao cinema. Tem mais de R$ 8 milhões em mídia espontânea. Entre os seus projetos destaca-se o ProsSocialCinema e o programa Diálogos Com o Cinema, o maior sucesso do Ponto Cine desde a sua inauguração, patrocinados pela Petrobras."

Bacana a ideia, não é? Dá até para começar uma camapanha: "Precisa-se de mais Pontos Cines!".

Neste sábado (15/05), o filme convidado para o Diálogos com o Cinema  é o "Olhos Azuis". Vamos lá com a Cristina Lago, a Bia do filme (Prêmio de melhor atriz no Festival de Paulínia 2009) e o nosso diretor José Joffily.

Serviço:
Ponto Cine – Shopping Guadalupe
Estrada do Camboatá, 2300 – 1° Piso - Rio de Janeiro (Shopping Guadalupe)
Informações: (21) 3106-9995 
Reservas: convite@pontocine.com.br
Entrada Franca

Quer saber mais sobre o Ponto Cine, dê uma lida neste post: Ponto Cine – o cinema mais simpático do Rio.




quinta-feira, 13 de maio de 2010

Entrevista com o ator David Rasche

Abaixo reproduzimos o post de uma "gringa", como se auto define, Rachel Glickhouse, que hoje vive em Nova York e é casada com um brasileiro, mas também já morou no Rio de Janeiro e mantém em seu blog uma coleção de post relacionados ao Brasil e a sua experiência por aqui.

O post trata-se de uma entrevista. Rachel conversou com o nosso ator David Rasche sobre o filme Olhos Azuis e a sua primeira viagem ao Brasil. Confiram:



Do Blog: Adventures of a Gringa, por Rachel Glickhouse (Clique aqui para a versão traduzida pelo Google Tradutor)

An Interview with David Rasche
When I first got to talking to the PR person about the Olhos Azuis film, I mentioned it would be fun to interview the American star. I was really excited when she agreed, and I spoke to David by phone last week to ask about his experience with the film and his first trip to Brazil.

David Rasche is one of those imposing actors, one you'd expect to be really intimidating. Before I interviewed him, I imagined him as Cal Hartley from Ugly Betty. Apparently, I wasn't alone; David told me that he had quite an impression on the film production staff when he first arrived in Brazil, who expected him to be something like his angry, cruel character he plays in Olhos Azuis. All of us were pleasantly surprised to find that David is a very affable, forthcoming guy, and I was really happy to have the opportunity to discover that he, just like every other gringo I know that visits Brazil for the first time, had fallen in love with the country.





Though David claims he knew very little about Brazil before making the movie, he told me that not only did he love his experience, but now he follows Brazil closely in the news and has become very interested in Brazilian culture. He grew very fond of his Brazilian colleagues, who he says he hopes will be his friends for life. He learned about the food and the culture, Carnival, the beaches and the geography. He also learned about history ("I didn't know about the Dutch in Brazil," he admitted), exploring Olinda and old Recife. He quickly realized that Brazilians are insulted by the lack of knowledge gringos have about Brazil, since Brazilians tend to know much more about American culture and the US. In turn, he decided to learn as much as he possibly could about Brazil, and said he intends to have "a life-long relationship with Brazil," a place he finds "endlessly fascinating."



The film was shot in the interior of Pernambuco, as well as a few scenes in Rio. While in Pernambuco, the cast and crew stayed in Petrolina and filmed in a tiny village on the Rio São Francisco. He was taken aback by how primitive it was in the small town, where there are real cowboys, where women wash clothes on rocks in the river and where kids eat mangoes fallen from the trees. While Rio seemed to leave him starry-eyed with its beauty, he also confesses that he was "disappointed by the hard times" there. Nevertheless, he was struck by the stunning natural beauty and especially liked the intricate tile sidewalks.



In both cities, David was determined to try new experiences, like eating a real cashew fruit for the first time. He tried every new type of food and drink he could, and especially loved guaraná, feijoada, and farofa (which by the way, he pronounced beautifully). He also made an effort to learn Portuguese and picked up new vocabulary from his Brazilian acquaintances. During his learning experience, like many gringos who really open their eyes in Brazil, David realized that Brazilians have a love/hate relationship with the US. "There's lots of resentment toward Americans," he pointed out, especially toward the type of person he plays in the film. He noticed how deep national pride is in Brazil, and how it helps contribute to that "push-pull relationship with the US."




Luckily, David won over his fellow actors and colleagues, proving he's not like his awful character. In the film, David plays an angry, xenophobic border patrol agent with absolutely no regard for human decency. To prepare for his role, David got in touch with the immigration authorities in the US, and he visited an airport here along with one of the other American actors. Contrary to the film, the real officers were very friendly and accommodating, and using what they learned, the actors applied their knowledge during their scenes, even helped tweak the set design. Though it was easy to imitate the immigration procedures, one of the challenges of the film was the language barrier. On the set, all of the actors spoke different languages, making filming a bit tricky. Luckily, the director spoke Spanish, Portuguese, and English, and sometimes had to repeat his instructions three times for all of the actors to understand.






The heart of the film's plot, David says, is based on the idea that Brazilians couldn't come to terms with why the US would have a problem admitting an intelligent, employed, middle class man into the country. The man in question is the character Nonato, whose experience is based on a true story. David told me that both protagonists represent their countries in a way: a Brazilian speaking for Brazil, and an American speaking for the US, albeit from a very anti-immigrant perspective. David really liked the symbolism of the blue eyes versus brown eyes to represent the film's central conflict. "The days are numbered for blue eyes," he said. "It's the brown eyes' turn."

Photos courtesy of Coevos Films

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Leia também: Uma americana fala sobre o filme Olhos Azuis.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda sobre os premiados


Vale lembrar que apesar de ter vencido o prêmio de "Melhor Ator" do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, David Rasche, como outros atores do nosso elenco, não é brasileiro. José Joffily montou para Olhos Azuis um elenco internacional, consoante aos persogens de diferentes nacionalidades envolvidos na trama do filme. No premiado longa de Joffily, que também ganhou o prêmio de Melhor Filme do Festival de Paulínia 2009, o ator norte-americano David Rasche interpreta Marshall, o debochado oficial do departamento de imigração americana que em seu último dia de trabalho, movido pelo seu ódio e preconceito em relação aos latino-americamos, transforma o ambiente da migra em uma verdadeiro purgatório para aqueles passageiros que esperavam, confiantes, finalmente entrar no paraíso americano, em busca de uma vida melhor.

Entre os passageiros que foram alvos da fúria de Marshall, está o brasileiro vivido por Irandhir Santos, Nonato, uma das vítimas dos desrespeitosos e abusados interrogatórios a que Marshall submetia os passageiros sob a desculpa das entrevistas de rotina.

Confira neste trecho do Making of do filme o que Irandhir Santos tem a dizer sobre Nonato:


Se na vida real os atores dividem a alegria da premiação do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, no filme, a relação dos personagens de Rasche e Irandhir é bem distinta. O trecho acima é apenas um aperitivo do enfrentamento dos dois, a tensão continua no cinema.

Olhos Azuis: 28 DE MAIO NOS CINEMAS