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sexta-feira, 18 de junho de 2010

A tensão racial de Joffily

No Zero Hora, em 18 de junho de 2010, por Roger Lerina.

ESTREIAS


Vencedor de cinco prêmios no Festival de Paulínia do ano passado, inclusive de melhor filme, Olhos Azuis (2009) mostra o preconceito racial e cultural dos americanos em uma trama que mistura drama e suspense policial. No novo filme do diretor José Joffily, o setor de imigração do aeroporto JFK, em Nova York, é o palco do embate entre um policial americano e um brasileiro residente nos Estados Unidos.

Em Olhos Azuis, o excelente Irandhir Santos – ator de filmes como Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo e Quincas Berro d’Água – encarna um professor universitário que está voltando aos Estados Unidos depois de visitar a filha em Pernambuco. O destino do brasileiro Nonato, porém, muda drasticamente ao ser chamado para dar explicações ao oficial de imigração vivido pelo ator David Rasche (de Queime Depois de Ler), um preconceituoso policial com problemas de bebida que está à beira de surtar em seu último dia de trabalho. Apesar dos protestos dos subalternos interpretados pelos bons atores Frank Grillo e Erica Gimpel, o modo como o oficial Marshall trata os estrangeiros considerados suspeitos conduz os acontecimentos rumo a uma tragédia.

A história de Olhos Azuis se passa em dois tempos: as cenas no aeroporto – que renderam a Irandhir o prêmio de ator coadjuvante em Paulínia – alternam-se com sequências no Nordeste, anos depois do episódio, quando o americano tenta entrar em contato com a família de Nonato. Joffily – que adaptou a trama da peça Dois Perdidos numa Noite Suja para o mundo dos imigrantes brasileiros em Nova York em sua versão para o cinema de 2002 – denuncia a intolerância aos estrangeiros que recrudesceu nos Estados Unidos após o 11 de Setembro. No entanto, a tensão e a dramaticidade de Olhos Azuis ficam comprometidas diante do roteiro implausível e recheado de diálogos didáticos e pouco inspirados, que comprometem o resultado final do filme.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Filme brasileiro retrata trabalho de agente de imigração em aeroporto JFK

Do portal Comunidade News


“Olhos Azuis”, de José Joffily, mostra imigrantes barrados no Aeroporto JFK.


Muitos imigrantes devem se identificar com o enredo do filme “Olhos Azuis”, do cineasta brasileiro José Joffily, 64. A história, que tem atores brasileiros e estrangeiros no elenco, mostra imigrantes num aeroporto serem impedidos de entrar nos Estados Unidos. 


O enredo mostra o último dia de trabalho de Marshall (David Rasche), chefe da imigração do Aeroporto JFK de Nova Iorque. Na esperança de deixar uma lição para os subordinados, detém arbitrariamente um grupo de latinos que sonhava entrar nos Estados Unidos. A partir daí, cria-se um verdadeiro duelo entre “olhos azuis” e “olhos negros”. 


A inspiração de Joffily nasceu num documentário, onde a pedagoga americana Jane Elliot propõe aos americanos (olhos azuis) conhecerem na prática as dores de pertencerem a uma minoria (olhos negros). Depois disso, Joffily hospedou em sua casa um amigo que foi interrogado num aeroporto de Nova Iorque e deportado. 


Por telefone do Rio de Janeiro, José Joffily disse que as histórias contadas pelo amigo também o inspiraram. Na opinião dele, o sul-americano que viaja para o primeiro mundo passa muitas vezes por constrangimentos. “De maior ou menor gravidade, nos serviços de imigração”, disse ele. Segundo Joffily, o filme passeia por esta questão. “Você viajar e ser detido no aeroporto para averiguações”. 


Joffily acredita que Marshall represente o pensamento do americano médio, aquele que vive no interior dos Estados Unidos . “Entra muito a imaginação da gente com relação à história”. Segundo o cineasta, o agente de imigração é absolutamente sincero com o que ele pensa. “A democracia americana tem isso de espetacular, eles exercem o pensamento de direita ou de esquerda”. 


As manifestações vistas por Joffily, quando morou em Nova Iorque na década de 60, foram um verdadeiro encantamento para ele. Relatos de amigos e conhecidos de Joffily ajudaram a compor a história.


Depois de um desfecho trágico no aeroporto JFK, Marshall vai para o Brasil. Em busca de perdão atravessa o nordeste, guiado por Bia (Cristina Lago), uma bela garota que transforma a vida do americano. A atuação rendeu à brasileira o prêmio de Melhor Atriz no Festival Paulínia 2009, onde Irandhir Santos também foi premiado como Melhor Ator Coadjuvante.


Paraibano de João Pessoa, José Joffily é diretor, roteirista, produtor e eventualmente ator. Atuou em “Bete Balanço” e na novela “Kananga do Japão”, e ganhou o Kikito de Ouro no Festival de Gramado em 1996 por “Quem Matou Pixote?”, categorias Melhor Filme, Argumento/Roteiro. Por “Olhos Azuis”, foi premiado com A Menina de Ouro no Festival de Paulínia 2009.


A força imigrante


Sobre os Estados Unidos, disse que o país é formado por imigrantes, assim como o Brasil. “Os imigrantes é que são a força econômica do país. A força dos Estados Unidos é a imigração”. 


O time de atores de “Olhos Azuis”, composto também por cubanos, argentinos,  hondurenhos, contribuiu muito para a qualidade do filme, segundo Joffily. A questão da imigração, de acordo com o cineasta, é muito evidente. “Ninguém em sã consciência, ninguém sinceramente poderá dizer que não há uma reação dos Estados Unidos contra o imigrante”. Para ele não há o mocinho e o bandido. “Todos são mocinhos e todos são bandidos”. 


Em um filme produzido por um americano, Joffily viu guatemaltecos cruzando a fronteira mexicana. “É um filme muito violento”. 


De acordo com Joffily, os atores americanos – David Rasche, Erica Gimpel e Frank Grillo - tiveram grande contribuição na construção dos personagens de “Olhos Azuis”. “Criticavam muito o texto”. Isto deu bastante veracidade às situações do filme. Durante as filmagens, o diretor fazia uma mesa redonda com todos os atores. O filme foi todo feito no Brasil, com uma reprodução o mais fiel possível da sala do aeroporto JFK, onde os imigrantes são interrogados. 


Sobre o imigrante brasileiro nos Estados Unidos, Joffily disse que existem tanto pressões quanto condições favoráveis para a permanência dele no país. “Ele sabe que anda na rua muitas vezes, em algumas cidades, e é identificado como o antagonista, como alguém não desejável. Por outro lado tenho certeza que o imigrante aí convive com a experiênca muito boa de levar uma vida normal, no país que escolheu para viver. Certamente não é só sofrimento, só chateação, preconceito”. 


O cineasta tem curiosidade de saber a reação das pessoas, ao ver o filme. No Festival Brasileiro de Cinema de Paris, David Rasche e Irandhir Santos dividiram o prêmio de Melhor Atuação Masculina. Nos Estados Unidos, “Olhos Azuis” foi exibido no festival de Berkshire (NY) e no Cine Fest Petrobras Brasil-NY. O filme percorre ainda Miami, Vancouver e Toronto (Canadá), Israel e Londres. A crítica e o público brasileiros aplaudiram o filme. 


Atualmente Joffily está adaptando a peça “Mão na Luva”, de Oduvaldo Vianna Filho. A direção é em conjunto com Roberto Bontempo e as filmagens serão em Belo Horizonte (MG). 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Blog "Outra Coisa" tambem publica crítica de Olhos Azuis

Do Blog "Outra Coisa", por Rangel Andrade



Acredito que esse texto se tornará mais político que crítico. Perdoem-me, mas há uma parte em mim que precisa descrever as sensações éticas que o excelente roteiro do filme Olhos Azuis me causou. Portando não me julguem ao terminar de ler, julguem os roteiristas Paulo Halm e Melanie Dimantas, a culpa é única e exclusiva deles. Salvo a crítica que é minha!

Uma boa parcela da população sabe que a situação do estrangeiro se tornou mais catastrófica após o 11 de setembro, e entrar na América depois dos atentados virou uma missão (quase) impossível (a intenção não era lembrar o famoso filme do nosso amigo Tom Cruise). A intolerância americana cresce cada dia mais e trata os imigrantes como se todos fossem terroristas prontos a destruir a supremacia americana (o que graças a Deus vem se tornado realidade, mas não por culpa dos “invasores”, mas sim de um país hipócrita e cheio de falsas morais).

O novo filme de José Joffily (que dessa vez acertou em tudo!), toca justamente nessa ferida. Em seu último dia de emprego como o Chefe Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova Iorque, Marshall (David Rasche, em uma atuação primorosa), resolve brincar com sua autoridade ao ter que “escolher” quem vai ter o direito que entrar na América. Enfrentando problemas com o alcoolismo, ou simplesmente se divertindo ao tomar um porre, ele começa a beber durante o expediente e passa a cometer uma série de arbitrariedades contra um grupo de latino-americanos, expondo-os a situações vexatórias para autorizar sua entrada nos Estados Unidos. Dentre os mais variados candidatos à admissão que vão de um casal de argentinos carregando cocaína a uma bela dançarina cubana, passando por um grupo guatemalteco de lutadores de tae kwon do, encontra-se o brasileiro Nonato (Irandhir Santos), que tenta retornar aos Estados Unidos após ter visitado a filha no Brasil.

Marshall utiliza de toda sua autoridade para tentar provar a culpa do brasileiro, vai de um interrogatório arrogante a uma ameaça com arma. É do duelo desses personagens que temos as bem elaboradas questões políticas lançadas no filme. Após ser questionado porque um estrangeiro sai de um país de terceiro mundo para infestar os EUA o brasileiro diz que ´só existem pobrezas no terceiro mundo porque potências, como os EUA, por muitos anos apoiaram ditaduras cruéis e abusivas em prol do seu crescimento´. Esse trecho dispensa comentários, a citação já diz por si só.

A narrativa do filme é não linear, de um lado temos o protagonista na Imigração americana, depois preso e por fim ele anos depois, no Nordeste do Brasil em busca de uma criança que, se encontrada, representará sua redenção. Nessa segunda situação, o protagonista desamparado, decadente e já aposentado encontra Bia (Cristina Lago, em uma atuação surpreendente), uma jovem aparentemente sem rumo que passa a ajudá-lo na procura pela garota.

Em sua caminhada acabamos adentrando um pouco mais na vida do nordeste brasileiro: entram os sons do forró, a seca, as mortes prematuras e a sofrida Bia, uma jovem que foge para Recife atrás de uma vida melhor e acaba se prostituindo. Bia é uma das grandes transformações durante a película, passa de uma menina ambiciosa a uma mulher destemida que ajuda a todo custo o americano a encontrar a pequena Luíza. Durante essa caminhada ela acaba se deparando com o avô, uma desavença do passado que vai mexer com seus sentimentos e mudar sua trajetória levando-a á um final mais humano e compassivo com os sentimentos do “gringo”.

Os opostos permeiam toda a trama: enquanto as cenas nos Estados Unidos são em cores escuras e frias e mostram um policial como o rei do pedaço (outro filme, meus Deus haja inspiração hoje!) as cenas no Brasil são feitas em cores quentes, com uma câmera trêmula e trilha sonora mais agitada. A busca de Marshall por um sucessor também trás esse duo: entre os dois assistentes temos Sandra (Erica Gimpel) uma policial abusiva, fria e quase tão arrogante quanto o chefe, enquanto Bob (Frank Grillo) é mais correto e menos racional, chegando a se condoer pelo caso da dançarina cubana Calipso (Branca Messina).

Joffily disse que queria em seu filme atores dos países de origens dos personagens. Como o protagonista é americano, David Rasche foi escolhido primeiro através de uma seleção feita por dvd´s, ele e mais nove atores passaram por testes com o diretor e para a sorte do público (e do próprio ator, que está em seu melhor papel) Rasche acabou ficando com o papel. E acaba por dar vida a dois Marshall durante o filme: um homem audaz e frio e outro sofrido e melancólico atrás de sua redenção. O segundo com certeza é a parte mais marcante do ator: denso e caótico ele se transforma e chega causar dor e tirar algumas lágrimas com um personagem perdido em uma terra distante.

Quanto à língua estrangeira o diretor afirma: “A Branca Messina (Calipso) morou muito tempo na Espanha, mas eu queria que ela tivesse um sotaque cubano. Coloquei um cubano ao lado dela, uns cinco meses, para fazer isso. O Irandhir pegou rápido. A Cristina Lago também não tinha muita desenvoltura no inglês. É difícil definir o quão bem um personagem deve falar inglês, como ele deveria piorar ou melhorar seu inglês. Ao mesmo tempo se entender com o elenco, no set de filmagens, e fazer improvisos. A gente fez esta opção, mas é difícil encontrar o tom”.

Olhos Azuis foi o grande vencedor no II Festival Paulínia de Cinema em 2009 arrebatando os prêmios de Melhor Filme ficção, Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante (Irandhir Santos), Melhor Atriz (Cristina Lago), Melhor Som e Melhor Montagem.

É um bom filme. Uma boa história e um elenco afiadíssimo. Talvez o final desse texto seja menos político que o esperado, mas escrever tem dessas coisas: às vezes queremos desenvolver um assunto e acabamos nos desviando, mas o grande exemplo de civilidade e amor á pátria se deve sim aos diálogos marcantes e as ironias que permeiam todo o longa. É para pensar e questionar. Somos fruto de uma supremacia ideológica (e preconceituosa) americana que nos taxam como lixos e ainda assim queremos a todo custo Fazer a América!

Político ou não! Pensador ou não! É um filme corajoso e destemido. Merecedor de bons elogios e muitos espectadores, mas o que esperar de um país que lançou somente dezessete cópias (isso mesmo, 17) de uma história que nada mais é que uma declaração de amor aos valores dos brasileiros e de um Brasil tão esquecido.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fotos: Rogério Resende


Entrevista com o cineasta José Joffily no Almanaque Virtual

Do Almanaque Virtual, Por Leonardo Luiz Ferreira

Fotos de Álvaro Riveros


O interesse pelo cinema de gênero, a partir de um episódio trágico, se faz mais uma vez presente na obra do realizador José Joffily: Olhos Azuis (2009) é um thriller que aborda temas polêmicos em uma jornada redentora. Ao intercalar projetos de ficção com documentários, Joffily soube construir uma carreira de propósitos bem definidos, nos quais cada novo filme se relaciona de alguma forma com os anteriores. O interesse permanece por personagens à margem ou que não recebem a atenção da maioria das pessoas e que estão sempre em busca de mudança. Na entrevista exclusiva, realizada quase um ano depois da consagração do longa no Festival de Paulínia, o diretor reflete sobre o projeto e revela o que lhe impulsionou para ser cineasta.

Almanaque Virtual - O que lhe moveu primeiramente a realizar cinema?

José Joffily: Falando assim rapidamente e sem pensar muito, eu diria que foi a vontade de ficar em grupo. Quando trabalhava como fotógrafo era tudo muito solitário: cobria as pautas, voltava e editava o material e colocava as legendas. Era um processo chato. A minha vida mudou quando encontrei pessoas que estavam interessadas no mesmo assunto e que tinham prazer de trabalhar com cinema. Era sedutora a ideia de realizar um filme e isso compartilhava com todos eles. Em um determinado momento se formou um grupo de realizadores que resultou na produtora Corisco Filmes, entre eles estavam Jorge Durán, Sérgio Rezende, Murilo Salles, Emiliano Ribeiro e Mariza Leão. Essa multiplicação de encontros foi importante para a minha formação como cineasta.

 
AV - O roteiro de Olhos Azuis participou de uma oficina dos laboratórios do Instituto Sundance, em 1999. Por que levou tanto tempo para realizar o filme?

José Joffily: A ideia original surgiu em 1998. Os filmes se ajustam à época, ao talão de cheques e as circunstâncias. Alguns projetos vêm à tona e outros submergem com o passar do tempo. E no caso de "Olhos Azuis", sempre mantive a vontade de realizá-lo, pois gostava muito da história e dos personagens. Na versão original do roteiro, em um dos primeiros tratamentos, o filme se passava em diversos países: mostraria flashbacks de todos os latinos detidos na migra em seus países de origem. Mas isso tornou a produção muito cara. A história do boliviano, que o policial Marshall conta para a moça em um bar, seria encenada. Ela se transforma em relato, pois gostava de sua força, além de demarcar bem o que é estar distante de seu país. O tempo de maturação do projeto trouxe prós e contras. Lamento não ter feito externas em Havana, por exemplo. Mas mantive a ideia de que os atores são oriundos dos países dos personagens. Uma história curiosa sobre a produção de "Olhos Azuis" é a de que o personagem principal seria interpretado pelo ator Robert Foster, que renasceu devido ao sucesso de "Jackie Brown" (1998), de Quentin Tarantino. Ele estava animado com o filme e completamente inteirado com o projeto. De repente, eu recebi um e-mail dele em que dizia que não poderia filmar naquele momento, pois estava comprometido com uma filmagem em Cingapura. Foi a personificação do horror: perdi o protagonista do filme com todo o plano de filmagem já traçado. Decidi partir para Nova York e pessoalmente resolver esse problema. Foi aí então que surgiu o David Rasche, um ator mais ligado a seriados e comédias. Isso foi um fator importante para sua escolha em que interpretaria um papel bem diferente. Ele desenvolveu uma camaradagem com o núcleo de personagens da imigração e se integrou rapidamente.

 
AV - O filme se estrutura a partir de dois eixos narrativos que se diferenciam em termos de escolhas estéticas: a granulação e o tom cinza e frio da sala de imigração; e o solar e arejado de Recife durante o road movie. Fale sobre a direção de fotografia e as diferenças entre locações.

José Joffily: Eu já trabalho com o fotógrafo Nonato Estrela há muitos anos. Gosto muito de descobrir a fotografia e que direções devo seguir. Fizemos uma pesquisa de campo para saber como filmar interiores e exteriores: se deveríamos usar tal lente ou o tripé, e coisas do tipo. Optei por filmar com duas câmeras na migra para não banalizar e não perder a força das cenas. Tudo era uma questão de tempo. Disse para a produção que filmaria mais rápido a migra e assim consegui mais uma equipe de filmagem. A música durante as sequências da imigração não faria sentido. Portanto, trabalhei a edição de som para configurar e dar credibilidade. Já no Nordeste, a música tinha um papel importante, mas mesmo assim sacrificamos bastante a trilha sonora.

 
AV - Olhos Azuis depende diretamente do trabalho de montagem para funcionar na tela. A tensão vai se construindo de maneira crescente. Quais foram as diretrizes da edição e o trabalho com o montador Pedro Bronz?

José Joffily: Tive muita preocupação em como fechar cada cena e como ela iria abrir na seguinte. Retiramos alguns trechos de cortes que estavam previamente marcados. Também trocamos alguns de ordem. Era importante manter o interesse do espectador na história e a montagem devia dar essa fluência. "Olhos Azuis" é o primeiro filme de ficção que o Pedro monta. Ele fez uma modificação significativa ao defender que o longa terminaria na beira do rio, com o fracionamento de cenas da abertura. Visualmente era muito mais atraente terminar dessa forma, com o personagem indo de encontro ao mar.

 
AV - O discurso da obra aborda alguns temas polêmicos, como o preconceito racial e o xenofobismo. Os personagens assumem, de certa forma, estereótipos sociais, como a argentina malandra, os hondurenhos como frágeis e falsos esportistas e o brasileiro pobre que empreende seu "american dream", entre outros. Essa construção é deliberada?

José Joffily: Nunca tivemos essa ideia. A intenção também nunca foi de mostrar os argentinos como malandros; o filme é uma coprodução com a Argentina. Em Paulínia, levantaram a questão sobre a sensualidade da cubana, mas ela é comportada e a argentina é muito mais voluptuosa. O filme, sem dúvida, ganha asas e você perde o domínio de todas as possíveis leituras. Queria, sobretudo, que fosse um longa ecumênico e que representasse os países latinos. Tiramos um personagem chileno, que na época era construído sob o signo do neo-liberalismo. E também sacamos um militar argentino que foi condenado e se matava na migra - essa história era baseada em um personagem real. Talvez tenha algo nesse sentido de refletir um pouco cada país e características, mas não foi a intenção.

 
AV - De um lado se tem o policial americano durão, ex-militar, apegado a moral e aos bons costumes. Ele chega até mesmo a ser chamado de John Wayne por uma colega de trabalho, mas também é identificado com traços da persona de Clint Eastwood, como seu personagem Dirty Harry e no recente "Gran Torino" (2008). E de outro a temática política, a causa e o efeito, que remete ao roteirista e escritor Guillermo Arriaga e ao diretor Alejandro Iñarritú em "Babel" (2006). Quais foram as principais referências para o filme?

José Joffily: Marshall é sincero, sem disfarces. Ele representa o americano médio. Defende o seu país e é um retrato explícito do povo americano que não quer estrangeiros em seu território. Durante esse episódio sobre as sanções ao Irã e as reuniões com o Brasil ninguém da imprensa lembrou de um episódio que reflete a política exterior objetiva dos Estados Unidos: o embaixador Bustani foi defenestrado do cargo porque conseguiu reduzir em um terço as substâncias químicas empregadas como armas de guerra. Isso atrapalhava o ataque a Bagdá. E isso é aplicado por eles em uma série de países. Com relação as referências, nós temos todos uma formação de milhares de filmes americanos. É um inventário de filmes e séries que estão em nosso imaginário e, com certeza, passou pela nossa cabeça tanto o John Wayne quanto o Eastwood. Passamos meses discutindo o roteiro e nos utilizamos de um infinito número de referências.

Olhos Azuis no "Pulei pela Janela, Beijos!"

Do blog "Pulei pela Janela, Beijos", por Taís Bravo.

A primeira coisa que deve ser dita sobre Olhos Azuis: é um filme destemido. Há uma Verdade que perpassa suas histórias e se apresenta ao longo de todo o filme sem nenhum vestígio de hesitação, forte e pungente.



A trama se desenvolve através de dois principais fragmentos, um se passa no departamento de imigração americana, outro no Nordeste brasileiro. À medida que a relação entre estes fragmentos torna-se mais clara, maior é a aflição que nos atinge, não queremos enxergar o final que se aproxima. No entanto, é inevitável, o clímax se instala, os fragmentos se encontram, porém o ritmo tenso que os conduz, não se satisfaz, persevera, somos abandonados em meio a ele. O filme acaba e não tem fim.


O grande mérito de Olhos Azuis é este, sua relevância que ultrapassa a sala de cinema. Pode-se falar sobre muitos aspectos incríveis do filme, as atuações brilhantes, o roteiro impecável, fotografia…É um trabalho primoroso. Mas o que realmente engrandece todas estas ações é a relevância desse cinema destemido.

A Verdade que para muitos parece ousadia expor, Olhos Azuis escancara com a honestidade de quem não suporta mais rebaixar-se a reivindicações comedidas.


Ter coragem não deveria ser um motivo de honra, mas em tempos de relativismo e cinismo, é muito mais do que isso.


Entrando em pormenores, Olhos Azuis é um filme com um viés político explícito, no qual os paradoxos do um mundo neo-liberal – em que as relações de poder se dão de forma extremamente injustas, impossibilitando, então, a existência de uma liberdade propriamente dita – são apresentados com suas reais amarguras.


O embate entre olhos negros e olhos azuis é resultado da história de homens condicionados à História. Não há condições naturais ou determinismos, tudo é construção histórica. Marshall (David Rasche), o olhos azuis, carrega em si a paranóia, o individualismo, a arrogância e um patriotismo tipicamente americanos, porém, o ser americano não se trata de uma condição natural, impassível de mudança, é uma condição histórica, logo, em contínuo processo. Bia (Cristina Lago), é outra personagem que representa uma condição típica, é a puta brasileira, mais do que brasileira, nordestina, marcada pelas intransigentes raízes do Sertão. Confesso que tal personagem era a mais problemática para mim, temia que tal estereótipo fosse apresentado superficialmente, porém Bia cresce belamente ao longo da trama, as cenas de sua volta ao Sertão apertam a garganta e dilaceram as feridas ainda não curadas.


O clímax de Olhos Azuis pode ser representado por uma imagem, a veia dilatada de Nonato (Irandhir Santos)*. A revolta deste personagem é perturbadora, porque é um grito de realidade em meio a um jogo de consentimentos, no qual, os subordinados aceitam as regras em nome de uma liberdade que nunca deveria ser requisitada. Neonato é um corpo que sofre. Ele treme, chora, sua veia dilata, a injustiça que sente vai além, ela está impregnada em suas raízes, no seu povo, na História. Ele vai até as últimas instâncias, no filme é herói, na vida real seria, provavelmente, um imprudente. Ser destemido em tempos de liberdades relativas é imprudência, falta de limite.


Porém, como já foi dito, Olhos Azuis vai além das terríveis conjunturas de nosso tempo. A tensão que pulsa através da trama é História e as injustiças atreladas a essa construção que definham as liberdades individuais. A História da ascensão capitalista da supremacia americana é a História da vida humana impedida, diminuída, controlada.


Voltamos, então, a relevância de Olhos Azuis. O que o torna importante é seu compromisso com os homens, com suas histórias individuais condicionadas e fadadas, em geral injustamente, pela História. Não há consolo após essas imagens. Há orgulho, de um filme nacional executado perfeitamente com um tema de extrema importância global, e a esperança de que pelo menos a arte seja capaz de expor o que a realidade de simulacros nos persuade a ignorar.


Olhos Azuis é o cinema como instrumento de choque, de imersão em outras experiências, para a construção de consciência de nossa própria história.
 
* Sobre a veia de Nonato e Olhos Azuis, o excelente texto de Rafael Zacca. 
No G1, entrevista com David Rasche, protagonista de "Olhos Azuis"

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sábado, 29 de maio de 2010

Crítica: Olhos Azuis por Celso Sabadin


Suspense não é exatamente um gênero cinematográfico tradional no cinema brasileiro. E por aqui, quando se fala em Polícia, logo o tema é associado a favelas ou cárceres. Assim, é mais do que bem-vinda a estreia do premiado “Olhos Azuis”, produção brasileira que mescla elementos de suspense, drama e policial sem cair na facilidade dos desgastados clichês que permeiam estes três gêneros.

O bom roteiro assinado por Melanie Dimantas e Paulo Halm enfoca o protagonista Marshall (vivido pelo norte-americano David Rasche) em três tempos bem diferentes na sua vida: (1) em seu último dia como policial de imigração de um aeroporto dos EUA, antes de se aposentar; (2) preso numa penitenciária e (3) embriagado vagando pelas praias brasileiras. Os primeiros minutos do filme não sinalizam em qual ordem cronológica poderiam ter acontecido estes três momentos. A narrativa é entrecortada, embaralha os tempos, atraindo desta forma rapidamente a atenção e a curiosidade da plateia, que é convidada a montar o seu quebra-cabeças dramatúrgico.

Aos poucos, novos personagens vão se agregando, e rapidamente a situação ambientada na terrível sala de imigração do aeroporto - um verdadeiro purgatório onde se decide quem vai para o Céu ou para o Inferno - vai ganhando mais força e se agigantando dentro do filme. Num ambiente claustrofóbico semelhante ao obtido por Giuseppe Tornatore em “Uma Simples Formalidade” (1994), o diretor José Joffily (o mesmo de “Quem Matou Pixote” e “Dois Perdidos numa Noite Suja”) cria com muita eficiência um clima de forte tensão, onde gradativamente se destilam os mais arraigados sentimentos de ódio, culpa e preconceito.

Apenas uma frágil divisória de vidro, com persianas mais frágeis ainda, separa a força policial norte-americana dos “cucarachas” ansiosos por entrar na tão decantada América. É um tênue “muro de Berlim” de vidro e compensado que simboliza um imenso fosso cultural e social. Ao lado de Rasche, os atores Frank Grillo (no papel de Bob), Erika Gimpel (Sandra) e principalmente Irandhir Santos (Nonato) brilham como coadjuvantes de primeira linha.

No outro tempo fílmico, Marshall aparece despido de sua carapuça policialesca, decadente e carcomido pelos caminhos do “inferno” para onde desceu: as belas praias do nordeste brasileiro, através das quais é ciceroneado por Bia (Cristina Lago), o sempre enigmático personagem da prostituta de bom coração.

Desencontradas no tempo e no espaço, as linhas narrativas se encaminham com competência para a solução final que - se não é exatamente surpreendente - tem o mérito de carregar consigo uma vigorosa discussão sobre as diferenças históricas e aparentemente irreconciliáveis que separam as civilizações dominantes das dominadas.

Um belo trabalho de Joffily, forte e corajoso, que foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o principal, de Melhor Filme.

LEIO O POST ORIGINAL NO CINECLICK

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Globo, Rio Show, 28 de maio de 2010.
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Portal PLUS TV, maio 2010.

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OLHOS AZUIS 28 DE MAIO NOS CINEMAS!

Almanaque Virtual.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

"Olhos Azuis" aborda drama de um brasileiro nos EUA

No UOL Cinema - Últimas Notícias: Reuters, por Alysson Oliveira do CineWeb, 27 de maio de 2010.


Bia (Cristina Lago) vai ao encontro de Marshall (David Rasche) nas ruas de Pernambuco, em cena de "Olhos Azuis"

SÃO PAULO - Vencedor do principal prêmio do Festival de Paulínia do ano passado, "Olhos Azuis", dirigido por José Joffily, traz Irandhir Santos ("Quincas Berro D'Água") no papel de Nonato, um brasileiro que construiu sua vida nos Estados Unidos e é impedido de entrar novamente no país depois de passar férias em sua terra natal. O filme, roteirizado por Paulo Halm e Melanie Dimantas, estreia em circuito nacional.

Há duas linhas narrativas em "Olhos Azuis". A primeira é um embate entre Nonato e um oficial da imigração norte-americana, Marshall (David Rasche, de "Queime depois de ler"), numa pequena sala num aeroporto. O brasileiro acaba de chegar de viagem e é barrado - num processo aleatório, no qual um grupo de americanos escolhe meia dúzia de passaportes e resolve questionar essas pessoas que tentam entrar no país.

Marshall trabalha com dois colegas, Sandra (Erica Gimpel) e Bob (Frank Grillo), e está em seu último dia de atividade. Ele foi forçado a se aposentar e deverá passar o cargo. Ele não está em seu estado normal, bebeu demais e está disposto a comprar briga com qualquer pessoa.

Na outra linha, o mesmo Marshall já não é mais o mesmo sujeito bem arrumado e barbeado que barrava as pessoas que queriam entrar nos EUA. Mais velho e desleixado com a aparência, ele está no Brasil, em busca de uma garotinha cuja imagem ele vê numa câmera.

Aos poucos, a história de "Olhos Azuis" se abre e descobrimos que o americano está no país em busca da filha de Nonato e crê ter uma dívida com ela. Não é difícil de imaginar, em poucos minutos de filme, que o conflito entre Nonato e Marshall não acabou bem. No entanto, as duas tramas vão se entrecortando ao longo de quase duas horas de filme.


Joffily é um diretor com experiência em ficção ("Dois Perdidos numa noite suja", "Achados e Perdidos") e documentários ("Vocação do Poder"). Neste novo filme, imprime tensão nas duas narrativas, construídas em cima da dúvida de como os personagens chegaram no ponto em que estão.
Tecnicamente, o filme também deixa bem clara cada história, com fotografia diferente para cada uma. Nos Estados Unidos, todas as cenas são na sala do aeroporto, com planos mais fechados e iluminação artificial. No nordeste do Brasil, as cenas são bem iluminadas, quase sempre com luz natural, e os planos valorizam a paisagem local.

Apesar de sua boa intenção, em alguns momentos, "Olhos Azuis" esbarra em inconsistências. No Brasil, Marshall recebe ajuda de uma garota de programa (Cristina Lago, de "Maré - Nossa história de amor"). Ela é mais um catalisador na narrativa do que um personagem. Com domínio bastante bom do inglês, ela serve de ponte para o americano em sua investigação. No entanto, ela nunca questiona ou estranha essa busca. O mesmo acontece com as pessoas que cruzam os caminhos da dupla, que sempre fornecem informações sem a menor cautela.

Em meio a essas fragilidades, ganha força então o trabalho do ator pernambucano Irandhir Santos - em seu terceiro filme a chegar às telas no mês de maio. Além de "Olhos Azuis" e "Quincas Berro D'Água", ele é o narrador de "Viajo porque preciso, volto porque te amo". Aqui, ele é a alma desesperada do filme, um personagem preso no limbo de um aeroporto, sem pertencer nem ao Brasil nem aos Estados Unidos. A imagem de desespero de Nonato é o que fica gravado do filme.

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

LEIA O POST ORIGINAL AQUI.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Outra leitura

do Blog: Imagem em Movimento, por Christian Jafas, maio 2010.



Preconceito sm. 1. Ideia preconcebida. 2. Suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões, etc.

A definição dada pelo Dicionário Aurélio parece simplista ao primeiro olhar, mas as poucas palavras utilizadas são precisas, diretas e garantem um significado inequívoco para o termo. Olhos Azuis, oitavo longa-metragem de José Joffily, também possui essa rara qualidade e consegue transpor para a película, com exatidão, os sentimentos de quem um dia aprendeu o sentido do vocábulo sem ter que procurar no dicionário.

O ponto de partida para a análise que Joffily propõe parece ter saído de um filme de ação norte-americano, mas tiros e explosões são desnecessários aqui. Marshall (David Rasche), chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JFK, em Nova Iorque, celebra o último dia de trabalho, antes da aposentadoria forçada, incomodando um grupo de latino-americanos que ainda sonham com a terra prometida pelo Tio Sam. O incômodo que os latinos sofrem na sala de espera do aeroporto transcende a tela e recaí sobre os expectadores que, impassíveis como os personagens, compartilham das humilhações e agressões.
 
Para atingir esse estágio de interação com a platéia, José Joffily utiliza metáforas audiovisuais, um elenco forte e o recurso da montagem paralela. Vemos a trama ser revelada aos poucos, lentamente, passo a passo, enquanto nos aprofundamos na construção dos personagens. A montagem paralela nos leva a antever os acontecimentos e a julgar antes da hora, do mesmo modo que os oficiais da imigração fazem quando precisam decidir quem entra nos Estates e quem pega o avião de volta para seu país de origem.

A escolha por esse estilo de edição se mostra mais do que acertada, já que também permite aos atores coadjuvantes brilharem nos seus momentos em cena. Cada microuniverso que a narrativa constrói possui tensão e conflito na mesma escala da trama principal e esses elementos somados contribuem para a sensação de incômodo que atravessa a projeção do início ao fim.
 
O roteiro é dividido em camadas que apresentam duas realidades distintas, mas que irão percorrer caminhos paralelos até a inevitável fusão. A relação entre Marshall e o brasileiro Nonato, interpretado magistralmente por Irandhir Santos, é o fio condutor da história. Quando Marshall deixa de ser “O Chefe” para ser “O Gringo” a perspectiva muda e a relação dele com a prostituta Bia (Cristina Lago) estabelece uma segunda realidade no filme. A alternância entre essas duas realidades ora imprime um ritmo de road movie, ora de suspense impedindo que o expectador se acomode e evitando que o desfecho seja facilmente revelado.

Olhos Azuis foi o grande vencedor do Festival de Paulínia 2009 conquistando o troféu Menina de Ouro nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, Melhor Atriz (Cristina Lago), Melhor Ator Coadjuvante (Irandhir Santos) e Melhor Som. O desafio agora é conseguir ultrapassar as barreiras impostas por outra forma de preconceito.

O filme será lançado nesta sexta, 28 de maio, e dividirá as salas de cinema com os blockbusters do verão norte-americano. A invasão dos ‘olhos azuis’ em terras tupiniquins começou com Homem de Ferro 2, Robin Hood, Fúria de Titãs e na próxima semana teremos a estréia de Príncipe da Pérsia – adaptação do famoso joguinho da década de 80. Não seria o caso de utilizarmos o mesmo discurso de qualquer fiscal da alfândega norte-americana: “Vocês entram aqui, pegam nossos empregos, ganham dinheiro, mandam para seus países e nós, como ficamos?”

Sem apelar para o nacionalismo exacerbado podemos dizer que nós temos escolhas e uma delas é ver o ótimo trabalho de José Joffily na tela grande. Não deixe para ver em DVD. A elaborada fotografia de Nonato Estrela e a inquietante trilha sonora de Jaques Morelenbaum esperam por você.
 
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Clique aqui para ler o post original.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mais uma avaliação diretamente da blogsfera

do Blog: Proibido Proibir por Mattheus Rocha, maio 2010.



O cinema nacional está me enchendo de orgulho neste ano. Não são poucos os excelentes filmes lançados em 2010: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Sonhos Roubados, As Melhores Coisas do Mundo, Utopia e Barbárie, Quincas Berro D'água, e, agora, Olhos Azuis, novo longa de José Joffily (sem dúvida, o melhor de sua carreira). Sou capaz de apostar que o Brasil estará entre os indicados a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011. Não sei por qual, mas certamente estará. Curiosamente, além de ter dirigido Histórias de Amor..., o cineasta Paulo Halm está ligado aos roteiros de quase todos os destaques do ano. O cara tá botando a mão na massa mesmo. 
Olhos Azuis tem um tema bastante delicado. É uma crítica à xenofobia, mais evidente ainda, nos EUA, após o polêmico 11 de setembro (que fez o mundo se esquecer do assassinato de Salvador Allende). Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JKF, em Nova York. Em outras palavras, ele é o buldogue que escolhe quem entra e quem não entra nos EUA, por aquelas portas. Em seu último dia de trabalho, antes da aposentadoria, ele começa a beber em serviço e perde totalmente o controle. Além de não querer deixar seu cargo (pelo poder da posição), um sério problema de saúde o aflige. Ele quer descontar suas raivas, frustrações e angústias em alguém.
Os latinos, que aguardam o carimbo em seus passaportes, são submetidos a situações humilhantes, mas o pior sobra para o brasileiro Nonato (Irandhir Santos). A tensão aumenta a cada intenso diálogo do duelo entre Marshall e ele, mesmo o roteiro deixando evidente que algo ruim acontecerá e quem levará o pior na história. A estrutura narrativa é brilhantemente dividida em três tempos, contados de forma não linear. A prisão, o conflito e a busca pela redenção, nas cidades de Pernambuco. O elenco de apoio é ótimo, com destaque para a prostituta Bia (Cristina Lago) e os atores principais têm performances geniais. Antagonista e protagonista duelam em palavras, gestos, expressões. E quem ganha é o público. Estreia: 28 de maio.
Olhos Azuis - 111 min
Brasil - 2010
Direção: José Joffily
Roteiro: Melanie Diamantas, Paulo Halm
Com: David Rasche, Frank Grillo, Erica Gimpel, Cristina Lago, Irandhir Santo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Blog "Doidos Por Cinema" entrevista o cineasta José Joffily

No blog Doidos por Cinema, por Carlos Eduardo Bacellar, maio 2010.

Envolvido na maratona de divulgação de sua mais nova realização, “Olhos azuis” (2009), filme que iniciou sua carreira fazendo a limpa no Festival de Paulínia 2009 (a produção arrematou 6 prêmios, incluindo o de melhor filme), o diretor, produtor e roteirista paraibano José Joffily abriu uma brecha em sua agenda e concedeu uma rápida entrevista para o blog.

Com estreia marcada para o próximo dia 28, o novo longa-metragem do realizador de “Dois perdidos numa noite suja” (2002) volta ao tema dos imigrantes, mas desta vez coloca um grupo de latinos como réus num tribunal de exceção presidido pelo intransigente e perturbado Marshall (David Rasche), chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JFK (Nova Iorque). Roteirizado por Paulo Halm e Melanie Dimantas, “Olhos azuis” não se restringe à xenofobia – nossas retinas são expostas a uma alma atormentada em busca de reparação e da humanidade perdida (mais informações acerca da produção podem ser conferidas no post abaixo).
 
Por e-mail, o simpático e paciente Joffily (o repórter tinha combinado 5 perguntas, mas, empolgado, tascou logo 8, com subitens) trocou algumas palavras conosco. Ele foi lacônico, mas esclarecedor.
Doidos: Apesar de o senhor ter dito que não tratou Marshall como uma metáfora, fica difícil não imaginá-lo como símbolo da decadência da política americana, principalmente durante a desgastada era Bush. Ao longo do filme, o ex-chefe da imigração do JFK definha, assim como ocorreu com a imagem dos EUA perante o cenário mundial na última gestão da Casa Branca (Barack Obama agora luta para reverter esse passivo de imagem). O que o senhor pensa a respeito disso?

Joffily: “Não sou analista de política internacional, mas com a crise econômica surgiram os sinais de uma crise na liderança dos EUA.”
Doidos: Em algum momento o senhor sentiu desconforto na equipe e nos atores americanos? Afinal, o filme coloca em xeque, por causa das atitudes reprováveis de Marshall, a idoneidade do departamento de imigração do aeroporto JFK (mesmo se considerarmos um caso isolado, centrado na conduta de uma figura pontual). O filme já passou por festivais em Paulínia e Paris, e entra em circuito nacional no dia 28 de maio. “Olhos…” já tem distribuição programada para os EUA?

Joffily: “Acho que o desconforto era mais meu. Durantes os testes para a escolha dos personagens estadunidenses, mais de 20 atores receberam e interpretaram a cena que escolhi. Isso foi lá em Nova Iorque, e eu me lembro de um certo constrangimento, pois era a primeira vez que escutava aqueles diálogos ditos em voz alta. Interpretadas, as falas pareciam mais duras. Estamos em negociação com um distribuidor americano.”
 
Doidos: O filme é o seu segundo projeto que aborda a questão dos imigrantes. Tanto “Olhos…” como “Dois perdidos numa noite suja” (2002) exalam o desencanto com um suposto “paraíso”, que na verdade não existe. O senhor é um paraibano que ganhou o mundo com seus filmes. Esses dois projetos, de alguma maneira, serviram como instrumentos para sublimar idealizações do diretor (pessoa física) que não encontraram respaldo na realidade?
Joffily: “É difícil para o autor saber desses sentimentos. Com o filme no mundo, o filme deixa de ser do autor e ganha interpretações reveladoras para ele mesmo.”
Doidos: Antes de as circulações transnacionais de pessoas se tornarem mais frequentes, consequências diretas do processo de globalização, as emigrações ocorriam, em maior número, dentro das próprias fronteiras nacionais. No caso do Brasil, muitos nordestinos, motivados por cenários adversos, partiram (e partem) em direção ao Sudeste em busca de melhores oportunidades. Acreditam que o eixo Rio-São Paulo é o Eldorado abaixo da linha do Equador. Só que as expectativas, muitas vezes, são atropeladas por pesadelos. Podemos traçar um paralelo com a esperança alimentada por latinos, sublinhada no seu filme, que partem em direção aos EUA em busca de realização?
Joffily: “O brasileiro que migra para dentro do seu país sofre discriminação, mas acho que é diferente daquela que sente o sujeito no exterior. A começar pela língua, que aqui é igual e já é um fator que aproxima muito. Por outro lado, o imigrante sofre um desafio muito grande e, enfrentá-lo quando se é jovem, pode ser estimulante.”
Doidos: Nós temos um paradoxo: quanto maior é a circulação de pessoas, maior é a mistura e o contato com o diferente, o que deveria estimular as trocas interculturais. Mas, o que percebemos, em muitas situações, é o aumento da desconfiança com o outro. E não falo só dos Estados Unidos – vemos todo dia desrespeito ao ser humano em diferentes locais do planeta. O Brasil, apesar dos problemas, é uma nação miscigenada que congrega diversas etnias. Não sei se a melhor expressão seria considerá-lo mais amistoso ao estrangeiro, mas vá lá… O senhor concebeu Irandhir como um mártir, que deveria sofrer infortúnios para que outros latinos pudessem seguir suas vidas? Por que o brasileiro? Ele foi o único que encarou de frente os abusos da migra, como uma espécie de líder. Fica difícil não relacioná-lo à posição de destaque que o Brasil vem pleiteando no cenário internacional.
Joffily: “Não tinha pensado nisso. O Nonato, brasileiro como nós, teria de ser o antagonista do Marshall.
Doidos: O Irandhir disse o seguinte: “o filme fala das mesmas pessoas, somos iguais, independente da cor, ou dos olhos, somos iguais. Pessoas iguais e diferentes. Muda-se a cor, mas os infortúnios são os mesmos. todos são iguais, as questões são as mesmas. Não é uma questão de país ou de cultura. É uma questão humana. Como lidar com os nossos infortúnios?” Pode parecer uma pergunta piegas, mas vou fazê-la assim mesmo: O senhor é um idealista? Acredita que seu trabalho pode ser mais um tijolo no muro que tentará barrar preconceito, intolerância e xenofobia no futuro?
 
Joffily: “Mudo bastante de opinião, às vezes penso o cinema de uma maneira, às vezes penso de outra. Às vezes penso só no divertimento que pode ser um filme, outras vezes penso que poderia mudar o mundo com ele. A frio, acho que não somente uma coisa ou outra.”

Doidos: Marshall, carcomido pelo câncer, deixa para trás “o Brasil dos cartões postais” e atravessa o sertão nordestino. Aquela região expõe as vísceras de um país de contrastes extremos. A jornada pode ser encarada como o purgatório do americano em busca da absolvição? Quero dizer, passou pela sua interpretação estética que ele precisaria atravessar aquela região de extrema pobreza (“inferno” na terra) para expiar suas culpas e morrer em paz (ser aceito no “céu”)? Ou o objetivo era dar um vislumbre da realidade que pode ter motivado Irandhir a partir em busca de algo melhor?

Joffily: “Acho que as duas ideias devem ter passado pela cabeça Marshall (David Rasche), digamos assim.”
Doidos: A Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016) vêm aí. Se o senhor tivesse que realizar uma exibição para os agentes da migra daqui, qual a mensagem que o senhor deixaria para eles após o filme?
Joffily: “O filme é a mensagem, ou não é.”
 
Doidos: Disse tudo…




terça-feira, 18 de maio de 2010

Blog: Astronauta Libertado, maio 2010.

Diretor: José Joffily

Comecemos por dizer assim: tudo o que viu e tudo o que via transladava para além de seus olhos muito azuis ecoou para além de sua cabeça, transladando como fotografias móveis e líquidas, lavando toda a via crucis de sangue e álcool.
Ele não é o narrador, mas a narração do filme – nunca óbvia, esta narração que quase sempre não se dá com palavras, mas com pontos de vista: as câmeras – centra-se em seus olhos e aquilo que vêem e viram. O ele é Marshall (David Rasche). As câmeras, suas extensões.

Então é assim: o narrador do filme é esta câmera muito próxima dos passos do chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York, juntamente com os ruídos dos seus passos: por breves momentos a narração distancia-se do protagonista, vigiando aquilo que o cerca como uma sombra curiosa, como na cena dos poetas argentinos correndo em direção à luz da saída do aeroporto.

A narrativa segue então crua, num realismo que fere. A tensão é constante durante o enredo. O filme começa com uma aparente intenção entorpecente, num aparente envolvimento vertiginoso. Mas as feridas abertas muito reais puxam rapidamente o espectador para uma materialidade bruta. Não há torpor. A viagem é feita sóbria.

Em outras palavras, o filme começa confuso e estonteante, alternando cenas do passado, do presente e de imagens de uma câmera de vídeo. Alguns elementos inauguram a tentativa de embriaguez, como a “entrada” no vídeo da câmera: ao invés de mostrar a imagem da imagem da câmera, mostra-se diretamente a tela digital como apresentação. Outro elemento deste tipo seria a alternância de ambientes culturais: não só a alternância entre o Brasil e os EUA, mas a mudança de tipo de lugar: no primeiro, trata-se de uma jornada incessante de Marshall em busca de sua redenção, acompanhado por Bia (Cristina Lago), numa aventura a céu aberto; no segundo, um aeroporto, um lugar indefinível culturalmente, num jogo intrincado e paralisado, num pesadelo vivo em que não há aventura, pois não há obstáculos a serem superados, há apenas um departamento colocando-se como grande porta entre os imigrantes e os EUA.

E nestes próprios lugares constitui-se a realidade sóbria. Logo o espectador percebe que não há magia (positiva ou negativa – não há) nos ambientes retratados. Há um Brasil de destino malogrado, que tem suas próprias mazelas sangrando; há destinos, no não lugar que se chama aeroporto, que se caracterizam por um amálgama de sonhos flutuantes ameaçados por um cavalo de fogo. Este cavalo é o último dia de trabalho de Marshall, com seus companheiros de trabalho Sandra (Erica Gimpel) e Bob (Frank Grillo). Como despedida de trabalho, Marshall resolve divertir-se danando a vida dos imigrantes. Isto é o passado. O presente é a sua viagem ao Brasil, buscando aquele cálice sagrado que pagará os seus pecados.



Um desses imigrantes é o professor brasileiro Nonato (Irandhir Santos), atormentado até os nervos pela diversão de Marshall.

Sobre Nonato: talvez o mais óbvio seja deduzir que ele representa – como ele próprio deixa bem claro em seu momento de fúria no filme – os olhos pretos da América Latina enfrentando seu algoz Norte Americano, por conta da irresponsabilidade histórica deste sobre aquela (e aqui falo de medidas político-economicas norte-americanas que causaram tragédias econômicas e sociais na América Latina). Talvez o menos óbvio (e não mais nem menos importante por isso) seja perceber que os olhos pretos de Nonato são olhos muito humanos. E aqui falo de Irandhir Santos, que é homem também. Há uma veia que atravessa a face de Nonato, e essa veia fala também de amor, fala de ódio, fala de muitos outros sentimentos contraditórios que compõem o ser: há atrás da veia um ponto cego no existir, há atrás da veia sangue preto e pisado, imperfeito. A princípio soou estranho a mim quando Nonato levantou-se e se enfureceu. Depois entendi. Só depois de ver a veia cortando-lhe a cara entendi. E isso diz respeito à grandiosidade de Irandhir.



Sobre Marshall: não pude evitar compará-lo a um protagonista de uma literatura líquida nacional (como o personagem principal de Hotel Atlântico, ou o de Estorvo, ambos anônimos, de Noll e Buarque, respectivamente) com a qual tive contato recentemente. Talvez os tempos estejam mesmo dizendo alguma coisa a nossos artistas. Marshall é um homem fragmentado, cortado e líquido: um homem condenado a morte já no princípio do filme, e caminha em direção a ela, não importando seu passado distante, não importando o caminho (o importante é caminhar), quase não importando o lugar de chegada. Quem o aguarda é Luiza, e não a terra prometida.


Olhos azuis estréia dia 28/05/2010. A sensação de tensão prossegue, junto com algum sentimento de medo. Medo de sei lá quê. Talvez da vida crua.
Site oficial: http://www.olhosazuisfilme.com.br/

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda sobre os premiados


Vale lembrar que apesar de ter vencido o prêmio de "Melhor Ator" do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, David Rasche, como outros atores do nosso elenco, não é brasileiro. José Joffily montou para Olhos Azuis um elenco internacional, consoante aos persogens de diferentes nacionalidades envolvidos na trama do filme. No premiado longa de Joffily, que também ganhou o prêmio de Melhor Filme do Festival de Paulínia 2009, o ator norte-americano David Rasche interpreta Marshall, o debochado oficial do departamento de imigração americana que em seu último dia de trabalho, movido pelo seu ódio e preconceito em relação aos latino-americamos, transforma o ambiente da migra em uma verdadeiro purgatório para aqueles passageiros que esperavam, confiantes, finalmente entrar no paraíso americano, em busca de uma vida melhor.

Entre os passageiros que foram alvos da fúria de Marshall, está o brasileiro vivido por Irandhir Santos, Nonato, uma das vítimas dos desrespeitosos e abusados interrogatórios a que Marshall submetia os passageiros sob a desculpa das entrevistas de rotina.

Confira neste trecho do Making of do filme o que Irandhir Santos tem a dizer sobre Nonato:


Se na vida real os atores dividem a alegria da premiação do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, no filme, a relação dos personagens de Rasche e Irandhir é bem distinta. O trecho acima é apenas um aperitivo do enfrentamento dos dois, a tensão continua no cinema.

Olhos Azuis: 28 DE MAIO NOS CINEMAS

Nossos atores premiados no Festival de Cinema Brasileiro de Paris

Festival de Cinema Brasileiro de Paris anuncia vencedores

da Reportagem Local

O Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que está em sua 12ª edição, anunciou nesta terça-feira (11) os seus vencedores.

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo", de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, foi escolhido como o melhor filme.

O prêmio de melhor atriz ficou com Nanda Costa, por "Sonhos Roubados", de Sandra Werneck.

Já o prêmio de melhor ator foi dividido pelos atores David Rasche e Irandhir Santos. Rasche venceu por "Olhos Azuis", de José Joffily. Santos foi lembrado pelo mesmo filme e pela narração de "Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo".

O júri era composto pelos cineastas François Favrat e Agnes Jaoui e pelas atrizes Marie Espinosa e Helena Noguerra.

O júri popular escolheu o filme "Elvis & Madona", de Marcelo Laffitte, como o melhor filme do festival.

O Festival segue até 18 de maio, com a exibição dos filmes que estão fora de competição.

(Fonte: Folha Ilustrada, maio 2010)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma americana fala sobre o filme "Olhos Azuis"

O blog Rio Gringa, ou "Adventures of a Gringa", é escrito por Rachel Glickhouse, americana de Nova York que quando veio morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como professora de inglés e balé, criou um blog para registrar suas impressões sobre a cidade e as pessoas. Com o tempo, Rachel passou a colecionar uma série de curiosas observações sobre os cariocas, o Brasil e as nossas manias. Seu blog - escrito predominantemente em inglês - acabou ajudando muitos estrangeiros que queriam viajar para o Brasil a conhecer um pouco mais sobre a terrinha e, principalmente, sobre o Rio.
Rachel, que fala muito bem o portugês e, confessadamente, adora o Brasil, teria sido nossa convidada para a sessão de pré-estreia de "Olhos Azuis", uma vez que a temática do filme dialoga muito com suas experiências de vida, porém, quando escrevemos para ela, Rachel já estava de volta aos EUA. Uma pena, pois assim não poderia conferir nas telonas do cinema nacional a história que cruza as vidas de Marshall (David Rasche), Nonato (Irandhir Santos) e Bia (Cristina Lago). Triste, mas não muito! Demos um jeito de apresentar o filme para ela. E vejam só no que deu: 

Olhos Azuis (Clique aqui para ler a tradução do post do Google Translator)

I get quite a few email requests for PR and special posts, but last week one caught my eye and turned into much more than I expected. Thanks to one fantastic PR person and some incredibly kind and hard-working people over at the film company, I not only got a ton of info about a new Brazilian movie, but was actually able to see it and interview the star. When you see what the movie involves, you'll see why I was so excited about it.

Olhos Azuis, or Blue Eyes in English, is a labor of love about some of the most pressing issues in the US today: immigration, xenophobia, and our relationship with Latin America. It was filmed in Portuguese, English, and Spanish, and takes place in both New York and Brazil.

Cartaz
The film, which stars American, Brazilian, and Latin American actors, is based on a true story about a Brazilian living legally in the US who was detained going through immigration in the US and was inexplicably deported to Brazil. The movie follows the experiences of not only the Brazilian, but also the American immigration agent who detains him.


While I had somewhat low expectations before seeing the film, I was extremely impressed by how the story unfolded and how drawn I was to each of the characters. In fact, I wished they had spent some more time focusing on the other characters, including a Honduran martial arts team, a Cuban ballerina, and two Argentine poets, who could have even held the movie in their own right.

But the stars are really the heart of the film, including American David Rasche, who plays the immigration agent, Cristina Lago, who plays a charming prostitute who speaks amazing English, and Irandhir Santos, who plays the Brazilian living in the US. While there are plenty of stereotypes to be had -- the obnoxious, racist American and the free-spirited Brazilian prostitute -- the balance prevents the movie from becoming wholly anti-American or a Brazilian cliche. I was impressed by each of their performances, since I'd known Rasche as the manipulative millionaire from Ugly Betty and Lago as the star of Maré: A Historia da Nossa Amor, and both were completely different and extremely fun to watch in this movie.


The movie takes a back and forth approach to the story, flipping between the past and present to keep you curious about what comes next. The sense of humiliation, dread, and terrible discomfort that come with being harassed at immigration pervade the whole movie, giving anyone who has never encountered it a taste of what it's like, and anyone who has a painful reminder of their experience. It is this sense of dread and constrangimento that really keeps you on the edge of your seat.

The truth is that Latin Americans are often targeted by immigration at American and European airports, and are sometimes subjected to humiliating and traumatic treatment (just this last week, this issue was featured on an American comedy). When Eli was traveling in Europe, he was treated similarly to Nonato, the Brazilian character, and was always flagged and interrogated by immigration officers in every country he went to. Luckily, his experience in the US has been just fine, and I pray that anytime we travel, it will continue to be fine, but you never know.

There are too many stories about families torn apart because of the whim of immigration agents, judges, and others in power, and I think this movie serves as an important reminder to the governments of developed countries that people are paying attention and that the stories of those who have been wronged will not be silenced. I imagine that many Latin Americans will be able to relate to this movie, and
will feel a sense of satisfaction that someone has finally decided to tell their story, a story not about drugs or crime, but about regular, hard-working, legal immigrants and visitors who deserve to have their rights respected and to be treated like human beings.

The film recently was shown in Chicago and Paris, and premieres in Brazil on May 28th. I'm hoping that it will be shown at MoMa's Brazilian film festival this summer, so those of you in the New York area will be able to see it. For more information on the movie, please check out the movie's excellent blog, and stay tuned for my exclusive interview with David Rasche later this week!

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Muito bom ter este feedback de quem, tão de perto, conhece a política de imigração americana. Aguardamos a publicação da entrevista de Rachel com o nosso ator protagonista, David Rasche, a ser publicada em breve.