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segunda-feira, 7 de junho de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

Crítica: Olhos Azuis por Celso Sabadin


Suspense não é exatamente um gênero cinematográfico tradional no cinema brasileiro. E por aqui, quando se fala em Polícia, logo o tema é associado a favelas ou cárceres. Assim, é mais do que bem-vinda a estreia do premiado “Olhos Azuis”, produção brasileira que mescla elementos de suspense, drama e policial sem cair na facilidade dos desgastados clichês que permeiam estes três gêneros.

O bom roteiro assinado por Melanie Dimantas e Paulo Halm enfoca o protagonista Marshall (vivido pelo norte-americano David Rasche) em três tempos bem diferentes na sua vida: (1) em seu último dia como policial de imigração de um aeroporto dos EUA, antes de se aposentar; (2) preso numa penitenciária e (3) embriagado vagando pelas praias brasileiras. Os primeiros minutos do filme não sinalizam em qual ordem cronológica poderiam ter acontecido estes três momentos. A narrativa é entrecortada, embaralha os tempos, atraindo desta forma rapidamente a atenção e a curiosidade da plateia, que é convidada a montar o seu quebra-cabeças dramatúrgico.

Aos poucos, novos personagens vão se agregando, e rapidamente a situação ambientada na terrível sala de imigração do aeroporto - um verdadeiro purgatório onde se decide quem vai para o Céu ou para o Inferno - vai ganhando mais força e se agigantando dentro do filme. Num ambiente claustrofóbico semelhante ao obtido por Giuseppe Tornatore em “Uma Simples Formalidade” (1994), o diretor José Joffily (o mesmo de “Quem Matou Pixote” e “Dois Perdidos numa Noite Suja”) cria com muita eficiência um clima de forte tensão, onde gradativamente se destilam os mais arraigados sentimentos de ódio, culpa e preconceito.

Apenas uma frágil divisória de vidro, com persianas mais frágeis ainda, separa a força policial norte-americana dos “cucarachas” ansiosos por entrar na tão decantada América. É um tênue “muro de Berlim” de vidro e compensado que simboliza um imenso fosso cultural e social. Ao lado de Rasche, os atores Frank Grillo (no papel de Bob), Erika Gimpel (Sandra) e principalmente Irandhir Santos (Nonato) brilham como coadjuvantes de primeira linha.

No outro tempo fílmico, Marshall aparece despido de sua carapuça policialesca, decadente e carcomido pelos caminhos do “inferno” para onde desceu: as belas praias do nordeste brasileiro, através das quais é ciceroneado por Bia (Cristina Lago), o sempre enigmático personagem da prostituta de bom coração.

Desencontradas no tempo e no espaço, as linhas narrativas se encaminham com competência para a solução final que - se não é exatamente surpreendente - tem o mérito de carregar consigo uma vigorosa discussão sobre as diferenças históricas e aparentemente irreconciliáveis que separam as civilizações dominantes das dominadas.

Um belo trabalho de Joffily, forte e corajoso, que foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o principal, de Melhor Filme.

LEIO O POST ORIGINAL NO CINECLICK

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mais uma avaliação diretamente da blogsfera

do Blog: Proibido Proibir por Mattheus Rocha, maio 2010.



O cinema nacional está me enchendo de orgulho neste ano. Não são poucos os excelentes filmes lançados em 2010: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Sonhos Roubados, As Melhores Coisas do Mundo, Utopia e Barbárie, Quincas Berro D'água, e, agora, Olhos Azuis, novo longa de José Joffily (sem dúvida, o melhor de sua carreira). Sou capaz de apostar que o Brasil estará entre os indicados a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011. Não sei por qual, mas certamente estará. Curiosamente, além de ter dirigido Histórias de Amor..., o cineasta Paulo Halm está ligado aos roteiros de quase todos os destaques do ano. O cara tá botando a mão na massa mesmo. 
Olhos Azuis tem um tema bastante delicado. É uma crítica à xenofobia, mais evidente ainda, nos EUA, após o polêmico 11 de setembro (que fez o mundo se esquecer do assassinato de Salvador Allende). Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JKF, em Nova York. Em outras palavras, ele é o buldogue que escolhe quem entra e quem não entra nos EUA, por aquelas portas. Em seu último dia de trabalho, antes da aposentadoria, ele começa a beber em serviço e perde totalmente o controle. Além de não querer deixar seu cargo (pelo poder da posição), um sério problema de saúde o aflige. Ele quer descontar suas raivas, frustrações e angústias em alguém.
Os latinos, que aguardam o carimbo em seus passaportes, são submetidos a situações humilhantes, mas o pior sobra para o brasileiro Nonato (Irandhir Santos). A tensão aumenta a cada intenso diálogo do duelo entre Marshall e ele, mesmo o roteiro deixando evidente que algo ruim acontecerá e quem levará o pior na história. A estrutura narrativa é brilhantemente dividida em três tempos, contados de forma não linear. A prisão, o conflito e a busca pela redenção, nas cidades de Pernambuco. O elenco de apoio é ótimo, com destaque para a prostituta Bia (Cristina Lago) e os atores principais têm performances geniais. Antagonista e protagonista duelam em palavras, gestos, expressões. E quem ganha é o público. Estreia: 28 de maio.
Olhos Azuis - 111 min
Brasil - 2010
Direção: José Joffily
Roteiro: Melanie Diamantas, Paulo Halm
Com: David Rasche, Frank Grillo, Erica Gimpel, Cristina Lago, Irandhir Santo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mês de estreia e pré-estreia

Atenção cinéfilos de plantão:

Maio é o mês da estreia de "Olhos Azuis" e a produção do filme, juntamente à distribuidora "Imagem Filmes", está organizando algumas promoções na web para que os internautas interessados possam assistir ao filme antes de todo mundo. É isso mesmo(!), vamos sortear entradas para as nossas pré-estreias, a princípio, programadas para Rio de Janeiro e São Paulo.

Por enquanto não temos os detalhes ainda, mas em breve divulgaremos aqui e nos demais canais do filme novidades sobre as promoções especiais para as nossas sessões de pré-estreia.

Aos amigos blogueiros deste louco mundo internético, adiantamos: os cérebros por trás dos monitores vão poder conferir o filme com exclusividade em sessões fechadas especialmente para blogueiros! Gostou da idéia? Quer saber como concorrer? Fique de olho no @olhosazuisfilm


Já conferiu o trailer do filme? Não? Então assista abaixo:





28 de maio nos cinemas

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Você já viu o filme Olhos Azuis? Sim? Então...

Se você já teve oportunidade de assistir ao filme "Olhos Azuis", de José Joffily, no Festival do Rio ou no Festival de Paulínia 2009, dê o seu pitaco sobre o filme na Web! O que não falta é espaço!

Nossos canais na web são: Olhos Azuis - O Filme Twitter: http://twitter.com/OlhosAzuisFilm siga, dê RT nos tweets e quando citar o filme use a tag #OlhosAzuis Facebook: http://bit.ly/olhosfb seja amigo do filme no Facebook, comente e compartilhe nossas postagens, fotos e vídeos YouTube: http://bit.ly/olhosyt inscreva-se no nosso canal, adicione nossos vídeos a suas listas de reprodução, se inscreva, comente e favorite nosso trailer Orkut: http://bit.ly/Olhosokt1 Adicione nosso perfil, deixe recados, indique para amigos e entre na Comunidade: http://bit.ly/Olhosokt2 Site Oficial: http://bit.ly/oasite Sinopse, Trailer, Depoimentos, Fotos, Blog e muito mais.

Agradecemos a sua participação.

Festival do Rio: Olhos Azuis

Do site: Cine com pipoca, setembro, 2009. 

Gênero: Drama

Duração: 105 min.

Roteiristas: Paulo Halm e Melanie Dimantas

Diretor: José Joffily
Com o aumento da produção cinematográfica no Brasil, é natural que os diretores e produtores comecem a explorar caminhos diferentes dos já traçados. Ao invés de especular sobre violência, crianças abandonadas, tráfico de drogas e miséria, temas tão recorrentes em nossa cinematografia, José Joffily tira partido de outro assunto, não menos importante, que é a eterna soberania americana sobre a realidade brasileira.
Ao cruzar as histórias de Nonato, imigrante pernambucano e Marshall, chefe do departamento de Imigração do Aeroporto de JFK nos E.U.A., Joffily traça um paralelo escancarando o enorme abismo cultural entre as duas nações, jamais dito com tanta veracidade. Joffily apresenta este belo e feroz thriller com um maravilhoso compasso e ritmo raramente vistos em filmes brasileiros.

O filme é uma espécie de mea culpa expiatória e destila toda a ira, raiva e rancor que os imigrantes causam nos hipócritas americanos. Expondo a xenofobia escancaradamente, a câmera de Joffily atua como uma testemunha da queda de um império que sempre soube acolher os imigrantes de braços abertos e agora os rejeita, humilha e despreza.

Olhos Azuis é um filme que conta a história de um homem cego pelo seu próprio preconceito e arrogância, que o levam a cometer atitudes extremadas. Forçado por sua consciência, este homem busca sua redenção em uma terra distante da sua. Marshall começa sua jornada em Recife e, com ajuda de Bia, uma prostituta poliglota, cruzarão o estado de Pernambuco em busca de ajuda para salvar-se de uma culpa aflitiva.

Através de flashbacks, conhecemos as razões para a peregrinação desgostosa de Marshall, e nos tornamos testemunhas de suas verdadeiras convicções.

O elenco internacional é outro trunfo da produção. David Rasche compõe um Marshall autêntico. Seu deboche e arrogância com os imigrantes chegam a nos irritar. Ele representa anos e anos de autoridade em fase de estado terminal. Bêbado, doente e atrevido ele representa o último grito de uma nação podre e decadente.

Irandhir Santos faz Nonato perfeito que, basicamente, é o pivô de toda a situação. Seu personagem torna presente a conformação secular de um Brasil subjugado pelo poder majoritário que, mesmo rebelando-se, acaba sendo reprimido. Cristina Lago interpreta Bia, a garota que ajuda Marshall em sua romaria. Cristina tem uma presença cativante e transforma seu personagem em algo além de uma simples prostituta abandonada. Ela acolhe o monstro carinhosamente e surge como a esperança da aversão de Marshall pelos estrangeiros.

Olhos Azuis é a comprovação que o cinema nacional esta se tornando amadurecido e adulto e sabe muito bem aonde que chegar. São filmes como este que sepultam de vez a incapacidade brasileira em fazer um cinema plenamente desenvolvido e, arrisco-me a dizer, muito melhor do que os norte americanos.

Nota: 9,5

Crítico: Ricardo Pinto