sábado, 29 de maio de 2010

DIRETOR DE ”OLHOS AZUIS” CONVERSA COM O PLANETA TELA.

Planeta Tela conversa com José Joffily.


Estreia nesta sexta-feira (28) o filme “Olhos Azuis”, grande vencedor do Festival de Paulínia do ano passado. O site Planeta Tela conversou com seu diretor, produtor e corroteirista, José Joffily.

Planeta Tela - "Olhos Azuis" é um filme forte que fala de preconceito, intolerância, racismo e redenção. De quem partiu a ideia de realizá-lo? Como nasceu o projeto?

JOFFILY - Certa vez eu hospedei em casa um amigo que viveu uma situação bizarra. Depois de longas semanas de conversas, foi ele que me inspirou a escrever o argumento do filme junto com o Jorge Durán. A experiência vivida pelo meu hóspede foi bastante semelhante à do personagem Nonato. Apenas o desfecho foi diferente.

Esse meu amigo já morava há muitos anos nos EUA e veio para o Brasil visitar a filha. Como estava em andamento um processo para concessão de green card, e ele viajou com autorização legal, e considerou que estaria tudo bem na sua volta. Passou um tempo no Brasil visitando a filha e, retornando, no aeroporto, para sua surpresa, encarou um Marshall pela frente. Como só tinha casa montada nos EUA, ele foi deportado, sem ter onde ficar. Foi aí que eu entrei.

Os múltiplos relatos de outros constrangimentos passados na migra ajudaram a compor o painel dos personagens. Claro que os depoimentos não ficaram quimicamente puros, a imaginação do que poderia ter sido também contribuiu para o resultado final. “Olhos Azuis” é um projeto de mais de 10 anos atrás. Como você sabe, produzir para cinema é assim, é grande a distância que separa a idéia de sua execução.

Planeta Tela - Pelo fato de boa parte do filme ser falada em inglês, com atores americanos, foi tentada alguma co-produção internacional?

JOFFILY - Tentei um pouquinho, mas não tinha cabeça fria para tanto. Dirigindo e produzindo, o tempo era pouco. Além das naturais atribulações da produção, o processo de seleção de atores em Nova York e na Argentina consumia um bocado de tempo.

Planeta Tela - Pelo mesmo fato, ele terá alguma estratégia diferenciada de distribuição para o mercado internacional?

JOFFILY - Estou negociando a distribuição no exterior.

Planeta Tela - Nem Suspense, nem Policial, nem Suspense Policial são gêneros tradicionais no cinema brasileiro, embora você tivesse flertado com eles em “A Maldição de Sampaku”. Você acha que o público brasileiro se surpreenderá com o fato de "Olhos Azuis" incursionar de forma tão vigorosa por estes gêneros?

JOFFILY - O filme tem uma abordagem política muito marcada. Incursionar por estes gêneros tornaria o filme mais atraente. E eu também gosto imensamente de filmar o gênero. O prazer de descobrir a posição da câmera, as cores, o contraste e os sons que constroem a imagem e o andamento de um thriller não tem preço. É um dos sabores de fazer um filme.

Gostaria que vissem o filme com o mesmo gosto.
Planeta Tela - Curiosidade: as cenas da sala de imigração foram feitas no Brasil ou nos EUA? Em que circunstâncias? É tudo estúdio?

JOFFILY - Nosso orçamento cobria apenas seis semanas de filmagem. Para conseguirmos cumprir o apertado plano contribuiu muito a decisão de se filmar em estúdio. Enquanto estávamos no nordeste, a equipe de arte construía no Rio de Janeiro o cenário da migra.

Depois de três semanas na estrada entramos para o estúdio: foi uma mistura na medida. Um contraste muito bom, sair do caldeirão do verão no sertão para o ar-condicionado do estúdio. Em locações, a pressa e o deslocamento constante, no estúdio, a calma e o conforto de ir todos os dias para o mesmo lugar.

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